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Cultura

Participação feminina na cultura cervejeira

Como é ser mulher e fazer cerveja na Capital Brasileira da Cerveja

09 julho 2020 - 15h00Por Júlia Laurindo

Apesar de ainda não existirem pesquisas ou dados oficiais sobre a participação feminina no ramo cervejeiro, é perceptível a grande diferença da presença das mulheres no mercado. Os homens ainda são a maioria e possuem maior espaço quando se trata do assunto, além do estereótipo de produtor e consumidor ser, ainda, masculino.

Mas, muitas mulheres quebram esse estereótipo e seguem na produção da cerveja. É o caso de Michelle Steffen, de 28 anos. Ela iniciou a produção há 6 anos e sempre foi interessada pela área gastronômica. “O interesse na cerveja surgiu justamente disso, achava incrível a infinidade de estilos existentes e fiquei curiosa em saber como os ingredientes eram misturados para trazer as características de sabor e aroma tão marcantes em cada um deles’’, conta. 

Michelle iniciou sua formação na área com um workshop de produção caseira para entender melhor o processo e depois concluiu um de Off Flavors - curso sobre a análise sensorial da cerveja, que “me permitiu entender um pouco mais dos sabores e aromas indesejados na cerveja, o porque eles surgem e como evitá-los.” 

Apesar de não ter ouvido explicitamente comentários machistas, conta que vinham de forma sutil. “Lá em 2014 quando comecei, nos cursos e até mesmo nas lojas de insumos, o ambiente era predominantemente masculino. Era comum perguntarem mais de uma vez: mas é você mesmo que faz tudo?”. 

Roseméri Pessatti também é cervejeira, acompanhou o marido em um curso prático de cervejeiro de apenas um dia, o casal então viu que era possível fazer cerveja em casa. Compraram os equipamentos e insumos em 2015 e começaram a produção. Com o passar do tempo, perceberam que não bastava apenas fazer cerveja que gostassem mas também queriam melhorar a qualidade. “Foi então que decidi fazer um curso de Homebrewer (cervejeiro caseiro) na Escola Superior de Malte e Cerveja, aqui mesmo em Blumenau. O curso teve duração de seis meses e misturava teoria e prática. Também fiz um curso pelo Pronatec-Produtor de Cervejas. No início de 2019 fiz um curso de Sommelier de Cerveja, que ensina, entre outras coisas, harmonização de pratos de comida e cervejas.” Roseméri conta também sobre suas premiações em concursos que participou junto ao marido “ganhamos vários certificados com pontuações ótimas, um troféu de um concurso local e uma medalha de ouro no Concurso da Acerva Catarinense, com uma cerveja estilo Witbier.”

Michelle e Roseméri participam da Confraria Confridas, grupo de mulheres cervejeiras de Blumenau e região que troca ideias, experiências e também, sempre que possível, apreciam cervejas artesanais. 

 

Dados oficiais do mercado cervejeiro

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que em 2019, 320 novas fábricas abriram no país, chegando ao total de 1171 cervejarias registradas no Brasil. Destas, 142 estão em Santa Catarina, o estado fica em quarta posição no país dentre os maiores produtores. Blumenau e Joinville, contam com 10 marcas, ficando atrás somente de Criciúma e São José. Além disso, Blumenau conta com mais de 120 produtores artesanais caseiros de cerveja.

 

 

O Acre é o único estado que não possui cervejarias registradas, São Paulo passou o Rido Grande do Sul no último levantamento feito pela Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e agora é o estado com maior número de cervejarias. As regiões com maior número de registr são Sudeste e Sul.

 

 

 

A importância da cerveja para Blumenau

A cultura cervejeira é de extrema importância para Blumenau, a produção na cidade começou quando ainda era uma colônia alemã, no ano de 1860, com a Cervejaria Hosang. A cultura de apreciação e produção da cerveja estão presentes nos principais eventos turísticos do município. É em Blumenau que acontece a Oktoberfest, maior festa alemã das américas e o Festival Brasileiro da Cerveja,  dentre os mais importantes eventos. A Escola Superior de Malte, primeira da América latina que abrange ensino, pesquisa e extensão sobre a bebida, também fica situada em Blumenau.

Os desfiles temáticos na Rua XV de Novembro são um dos atrativos da Oktoberfest. Divulgação Oktoberfest Blumenau Oficial

Por conta disso, desde março de 2017, Blumenau é considerada a Capital Brasileira da Cerveja. O projeto de lei foi oficializado pelo então presidente Michel Temer, o título é simbólico, mas de extrema relevância para a economia da cidade, que tem as festas temáticas como fonte de grande renda e geração de empregos diretos e indiretos. É o caso da já citada Oktoberfest, que acontece na cidade desde 1984. Conhecida internacionalmente pela gastronomia, trajes típicos, desfiles alegóricos e claro, cerveja gelada, atrai milhares de turistas todos os anos e gera empregos por toda a cidade.
 
 
 

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