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Rede de vizinhos busca melhorar segurança nas ruas e comunidades

Há três anos o programa já atende mais de 500 ruas distribuídas pelo município de Blumenau

06 dezembro 2019 - 21h37Por Victor Vinícius

Segurança sempre é um tema em pauta quando se discute os problemas de uma comunidade. O desafio de combater a criminalidade fica cada dia mais difícil para a polícia, que enfrenta problemas como baixo efetivo diante de um número grande de ocorrências a serem atendidas. Em Blumenau, por exemplo, o 10º Batalhão da Polícia Militar (BPM) conta com aproximadamente 250 soldados, o que representa uma média de um PM para cada 1.400 habitantes.

 

Hoje, comunidades que queiram participar ativamente da manutenção da segurança em suas localidades podem participar do programa Rede de Vizinhos da Polícia Militar. Por meio da interação entre moradores de uma rua, é possível estruturar um sistema de vigilância, segundo Nicolas Vasconcelos, tenente da PM em Blumenau. “As pessoas passam a ter um olhar mais atento ao vizinho e à rua. Assim, atitudes suspeitas são rapidamente repassadas e, se for confirmado o andamento de um crime, a Polícia Militar consegue intervir”, explica. 

 

Além de proporcionar um maior contato entre moradores e a criação de laços de amizade entre vizinhos, a Rede também facilita o trabalho da PM, que consegue “estar presente” em mais regiões da cidade. Atualmente, o programa atende cerca de 530 ruas, mobilizando diretamente 8 mil pessoas, em que cada uma representa uma residência atendida.

 

Uma dessas ruas é a de Ivan, de 41 anos, morador do bairro Itoupava Norte, e membro da Rede há cerca de um ano. “Quando a gente entrou em contato com a PM, porque estávamos tendo problemas com tráfico de drogas aqui na rua, recebemos todo apoio da polícia e instrução sobre como lidar com essas situações”, relata. Segundo Ivan, usuários vinham comprar entorpecentes no local. Por conta disso, muitos deles acabavam monitorando as casas à procura de objetos para furtar. Após a chegada do programa, o traficante foi capturado e depois o local ficou tranquilo. “Eu tinha vizinho que eu nem sabia o nome, então a rua ficou bem mais unida com o programa”, conta o morador da Itoupava Norte.

 

Desde então não houve mais casos de tráfico ou furto na localidade, mas o tenente Nicolas relembra um caso  no qual moradores conseguiram impedir um crime em andamento: “um vizinho pertencente ao programa identificou que na casa ao lado havia uma movimentação estranha, mas os moradores estavam fora. Ele entrou em contato com a Polícia Militar e nós prendemos dois indivíduos no momento em que eles estavam furtando diversos objetos”, lembra. 

 

Segundo estimativas do 10º BPM, 95% das ruas onde o Rede de Vizinhos é instalado não há registro de incidentes após a implantação do programa.

INFOGRÁFICO

 

O futuro da segurança

 

Com dificuldades para atender a demanda de ocorrências nas cidades, as forças de segurança tendem a usar cada vez mais o sistema de vigilâncias comunitárias. É o que aponta o professor especialista em segurança pública e privada, Jonas Alves da Silva. “O Rede de Vizinhos é extremamente eficiente. A integração de sistemas vem ajudando, mas a sociedade tem que compreender que a segurança é coletiva e todos têm que participar. Não é apenas jogar o trabalho para a polícia”, argumenta. 

 

O professor também defende que há um interesse da polícia em trazer a comunidade para dentro das corporações porque o estado sozinho não vai conseguir solucionar a questão segurança pública. Além disso,  mesmo programas, como o Rede de Vizinhos, têm suas falhas, como aponta o próprio tenente Nicolas. “É claro que, como em qualquer programa de prevenção, nós não conseguimos impedir de forma absoluta a prática do crime, mas inibe e dificulta, principalmente pela sensação transmitida ao mal intencionado. Primeiro pelas placas e pelo olhar vigilante dos moradores”, aponta. 

 

A ideia do batalhão é estender cada vez mais essa rede. Entretanto, há um limite para atendimento dessas demandas, por conta do efetivo reduzido.

 

 

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