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Blumenau 2050 renova a esperança de levar a comunidade à Prainha

Projeto prevê ampliar a estrutura e revitalizar o local para voltar a atrair o público

05 dezembro 2019 - 21h49Por Carla Marina Bucci e Gabriela Rebello Zimmermann

Guardada na memória dos blumenauenses, a Prainha viveu seus dias de glória nos anos 1960. Na região da Beira-Rio, onde o rio Itajaí-Açu faz a sua curva mais sinuosa, o lugar foi intensamente utilizado como ponto de lazer. De shows de bandas famosas, a banhos de rio em épocas de verão, o local era bastante frequentado e ficou popularmente conhecido como Prainha. “Com as enchentes e o assoreamento do rio, ela foi perdendo essa sua função de praia, mas o nome ficou na memória das pessoas. Em fotografias antigas, é perceptível o quanto ela era realmente um ponto de lazer da comunidade”, afirma a historiadora e diretora do Patrimônio Histórico-Museológico da Fundação Cultural de Blumenau, Sueli Petry.

Contudo, ao longo dos anos, a curva do rio foi mudando seu formato. O que antigamente formava uma espécie de praia, onde a água ficava profunda de forma gradativa, hoje forma um grande declínio.  Assim, a principal curva do rio Itajaí-Açu perdeu a sua característica de praia e, no final da década de 1970, a região viveu uma espécie de vazio: os banhos, pescas ao robalo e encontros de motonáutica deixaram de acontecer. 

Segundo Sueli Petry, muito se deve ao aumento do vandalismo e à sensação de insegurança, consequências diretas do crescimento da cidade. “A falta de segurança fez com que as pessoas parassem de frequentar a Prainha. O vandalismo e as novas ocupações deixaram o blumenauense inseguro, então ele se retirou do local”, esclarece.

Depois de muitos anos, em junho de 2008, foi lançada a revista “Blumenau 2050”, um projeto debatido com representantes da comunidade que apresentava problemas da cidade e soluções a curto, médio e longo prazo. A iniciativa reconheceu que a cidade possuía poucas áreas de lazer urbano para o uso da população e a Prainha é um dos locais com planejamento de revitalização. 

Os efeitos do projeto 2050

O projeto é dividido em cinco eixos. A Prainha destaca-se no “Eixo 3: Intervenções para o Desenvolvimento Econômico, o Turismo e o Lazer”, que segundo o documento, tem como objetivo recuperar o rio e as tradições de lazer dentro e fora da água, novamente trazendo a comunidade como protagonista do espaço público.

Nesse sentido, a revitalização da Prainha e do circuito ciliar da margem esquerda são projetos que visam estruturar, desenvolver e implantar áreas com potencial para o turismo, o esporte e o lazer dos blumenauenses. Felizmente, segundo o engenheiro e secretário de Planejamento Urbano, Ivo Bachmann, a verba para a Prainha já está garantida. “Nós temos um recurso da ordem de R$ 5 milhões assegurado pelo Governo Federal. Uma parcela deste valor, em torno de R$ 4,8 milhões vai para a execução do projeto. Além disso, estamos com um edital de licitação em andamento, que busca, em um prazo muito exíguo, a qualificação de projeto”, assegura Ivo.

Para garantir a renovação e a atratividade da região central de Blumenau, o projeto de reurbanização previa ainda a instalação de novos equipamentos e de uma passarela voltada para pedestres e ciclistas, a qual permitiria a ligação entre o Centro e a Prainha. Também haviam sido planejadas reformas da estrutura e banheiros do local, além de arquibancada para a concha acústica e decks para contemplação do rio, bem como quiosques e playground para tornar o local um ponto de encontro e lazer da cidade. 

Segundo a diretora do Patrimônio Histórico-Museológico da Fundação Cultural de Blumenau, Sueli Petry, apesar de as ideias serem muitas, o que falta é a comunidade abraçar a causa. “Se não fizermos uso, vai acontecer o que tem acontecido sempre: é revitalizado, é dado todo o investimento. Nos primeiros tempos vai tudo bem e depois deixamos de frequentar, passamos a ocupar outros espaços”, lamenta a historiadora. 

Ela defende que é uma área que merece toda uma atenção para que a comunidade possa ocupar e fazer valer a intenção de Hermann Blumenau. “Ele quis preservar esse lugar como um espaço de lazer, de entretenimento, como ela foi em determinada época do passado. Então precisamos nos apropriar e dar vida àquele espaço”, defende. 

Para o arquiteto e urbanista, professor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Christian Krambeck, se a cidade quiser ter um futuro do ponto de vista cultural, da saúde mental e física e de desenvolvimento econômico, é preciso investir em espaços públicos. “As pessoas em Blumenau estão ficando doentes e depressivas, com estresse e altos índices de suicídio e temos poucas opções de lazer públicas para a comunidade. Então o projeto da Prainha é fundamental para que a gente possa participar mais do espaço público”, pontua. 

Especialista em Planejamento e Gestão Regional, Christian acredita que a criação do circuito linear, na margem esquerda do rio, é fundamental para que a comunidade faça uso do espaço. “As pessoas já usam a Prainha, mas é preciso colocar em prática o projeto que prevê a possibilidade de sair da Prefeitura, pedalando ou caminhando com o pet, passando pela Beira-Rio, pela Ponta Aguda, passando a Ponte de Ferro e, enfim, chegando na Prainha. Então, o retorno seria feito pela Ponte de Pedestres, prevista no 2050 também”, explica.  

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