Menu
Busca Qui, 22 de outubro de 2020
(47) 99975-9521
Esporte

Blumenau já foi rica em estádios

A cidade que hoje não tem mais estádios, já assistiu Pelé e Zico jogarem em seus campos

21 julho 2020 - 08h00Por Marco Aurélio Júnior

Desde o início deste ano, Blumenau não conta mais com estádios disponíveis para o futebol profissional. Porém, o município já teve alguns em sua história, chegando a ter três sendo utilizados ao mesmo tempo no campeonato catarinense.

No século passado os campeonatos citadinos eram muito comuns e disputados pelos grandes clubes brasileiros, e Blumenau contou com um forte torneio municipal de futebol, recheado de rivalidades entre clubes com força para disputar um estadual, como Progresso (hoje Canto do Rio) x Amazonas e Palmeiras x Olímpico. Todos esses times tinham campo próprio, disputando as competições em seus respectivos estádios.“O clima era bom por toda cidade, uma época de pura nostalgia, e cada um fazia sua parte”, contou o historiador Adalberto Day, um dos principais historiadores de Blumenau.

Era comum Palmeiras e Olímpico disputarem o campeonato estadual ao mesmo tempo, porém ter mais clubes da cidade, não. “Nunca os cinco principais times de Blumenau jogaram o estadual juntos. Apenas em duas oportunidades na década de 1960 três clubes disputaram ao mesmo tempo, sendo Palmeiras, Olímpico e Guarani em 1964, e outro ano Palmeiras, Olímpico e Vasto Verde”, contou o historiador Adalberto Day, um dos principais historiadores de Blumenau.

Os estádios dos principais clubes da cidade tinham estrutura com arquibancada, O Guarani tinha seu estádio na Itoupava Norte. O Vasto Verde tinha o Estádio Curt Hering, no bairro da Velha. O Guarani tinha seu campo no bairro Itoupava Norte. O Olímpico tinha a Baixada, na Alameda. O Palmeiras tinha o Deba, na Rua das Palmeiras. O Canto do Rio tem seu estádio no Progresso, ainda levantado mas sem estrutura nenhuma para futebol profissional. E o Amazonas tinha o gigante estádio da Empresa Industrial Garcia.

Além dos estádios próprios de clubes de futebol, também existe o do Complexo Esportivo do SESI, principal estádio nos últimos anos. Naquele gramado aconteceu um dos jogos mais emblemáticos da cidade, o Flamengo x Blumenau pela Copa do Brasil, com Zico, Zinho e companhia, comandados pelo histórico Tele Santana, vencendo o BEC por três a um, em 1989.

Dos estádios citados anteriormente, apenas dois ainda estão de pé. O Sesi e o Canto do Rio. Porém o primeiro não será mais alugado para o futebol profissional e o segundo não tem mais condições de receber um jogo profissional. O campo do Olímpico, na Alameda Rio Branco, ainda existe. Fica no centro do clube social. As antigas arquibancadas, que assistiram o show de Pelé, que marcou cinco gols na Baixada em uma vitória de 8 a 0 do Santos, não estão mais lá, substituídas por um estacionamento.

O estádio mais emblemático de Blumenau

Antes e depois da Rua das Palmeiras. Foto antes: Reprodução/Este é Alguém Blumenauense | Foto depois: Google Maps

O estádio Aderbal Ramos da Silva foi inaugurado em 1927 e reformado em 1948, em “uma das histórias que mais demonstra o amor pelo clube”, como disse Adalberto Klüser, em texto disponibilizado por Adalberto Day no seu material sobre o BEC.

O campo do então Palmeiras não tinha as dimensões oficiais e a cerca em volta do gramado era precária. Os jogos oficiais do time eram disputados, então, no estádio da Baixada, do rival Olímpico.

Terminado o turno de um dos campeonatos da Liga Blumenauense de Futebol, o mandante para o clássico contra o Olímpico era o Palmeiras e a diretoria do rival não quis mais ceder o campo. Então, a mando do presidente do Palmeiras, Germano Beduschi, o campo do time foi totalmente reformado, com obras começando na quinta-feira, feitas por torcedores e funcionários da empresa de Beduschi. O estádio ficou pronto para o jogo no domingo, quando o Palmeiras venceu o Olímpico por 4 a 0.

“O que diriam estes operários e torcedores ao passar hoje pela Alameda?”, pergunta Adalberto Klüser ao final do texto. E realmente, pensariam vendo que toda aquela história linda virou dois terrenos baldios cortados por uma rua.

 

Demolido em 2007, o Deba faz parte da história da cidade

Praticamente abandonado por causa da falência do Blumenau Esporte Clube, o estádio Aderbal Ramos da Silva foi leiloado e, na sequência, demolido pelo dono após riscos de a estrutura se tornar patrimônio histórico.

O estádio abrigou o Brasil Football Club, o Recreativo Brasil Esporte Clube, o Palmeiras Esporte Clube e, por fim, o Blumenau Esporte Clube. Todas as nomenclaturas da história da instituição jogaram naquele terreno, desde apenas um gramado, até as saudosas arquibancadas do Deba.

O jornalista Vilmar Minozzo, hoje repórter da Rádio CBN Vale do Itajaí e jornalista da TV Legislativa, cobriu o Blumenau Esporte Clube nas décadas de 1980 e 90. “Acho que meu tempo de cobertura do Blumenau foi realmente a época de ouro do clube. Houveram momentos de vários jogos importantes, grandes, e aquela coisa de chegava e não chegava. Vice-campeão estadual, segunda divisão nacional. Eu tive a oportunidade de cobrir jogos nesse momento de ouro de Blumenau, com jogadores e técnicos importantes que passaram por aqui, como Geninho, Levir Culpi e Zé Carlos. Foram anos de trabalho que me marcaram bastante, uma pena que teve esse fim do clube e do estádio”, contou.

Minozzo falou também sobre a força do time, que no Aderbal Ramos da Silva disputou jogos históricos. “Eu fiz (a cobertura de) grandes amistosos do Blumenau, como BEC x Botafogo, BEC x Vasco. O Bebeto esteve aqui jogando pelo Vasco no jogo vencido pelo BEC no Aderbal Ramos da Silva, que dizem que a capacidade era de 4 mil pessoas, mas tinha muito mais gente lá. Na renda e público que me passavam tinha mais de cinco mil pessoas”.

“Era extraordinário cobrir o Blumenau. Em um determinado momento tínhamos quatro emissoras de rádio transmitindo os jogos do clube no Catarinense e nos campeonatos nacionais, como a série B do Brasileiro”, comentou o jornalista.

Torcida do Blumenau em protesto contra a demolição do Deba (ao fundo). Foto: Memorial do BEC

O Aderbal Ramos da Silva está na memória do torcedor, por sua característica única e pelo clima que a torcida tricolor causava. “Torcer no Deba era diferente. Um estádio no centro da cidade, a torcida ficava perto dos jogadores e fazer pressão era fácil. Tinha uma energia positiva, motivava toda a torcida. Tinha muita emoção”, relatou o torcedor Laerte Schmitz, que guarda um documento com todos os resultados da história do Blumenau Esporte Clube, desde a fusão do Olímpico e do Palmeiras em 1980.

Para Laerte, um jogo em novembro de 1981 é um momento que recorda com bastante carinho. “BEC dois a um no Figueirense, de virada. Mudei de lugar umas dez vezes, inflamei todos (torcida) para virar o placar. Da arquibancada descoberta até a outra ponta da geral. Deu certo. No segundo tempo Cláudio e Chicão marcaram, o BEC virou e quase que o alambrado foi derrubado, todos queriam invadir o campo. Foi memorável pra mim”, contou o torcedor tricolor.

Sobre a demolição do estádio, Laerte conta que a falência do BEC não foi o motivo. “A falência resulta em tristeza, fim de tudo. Se foi verdade os motivos, ninguém sabe até hoje. Mas a demolição do estádio em 23 de setembro de 2007 foi apenas por problema político, não foram as dívidas o principal motivo”.

O maior estádio que Blumenau já teve

Estádio da Empresa Industrial Garcia, na Rua Amazonas. Foto: arquivo de Adalberto Day

O estádio da Empresa Industrial Garcia abrigava um time tradicional da cidade, o Amazonas Esporte Clube. Embora campeão de diversos torneios, inclusive do campeonato citadino, o alvi-celeste do bairro Garcia nunca disputou uma competição estadual, visto que a empresa que o administrava não permitia.

Mesmo assim, o estádio da Empresa Industrial Garcia foi o maior de Blumenau. “Ironicamente, o único time que não disputou o Estadual tinha o maior e mais belo estádio da região. Para as disputas do campeonato catarinense atual, todos os estádios teriam que sofrer alterações e ampliações, e o que mais tinha espaço era o do Amazonas. Teria um local que seguramente daria para colocar sentadas 30, 40 mil pessoas”, disse Adalberto Day, que além de historiador é torcedor declarado do Amazonas Esporte Clube.

O Amazonas foi o primeiro campeão oficial de Blumenau, vencendo o Torneio Início no dia 20 de abril de 1941. A competição contou com cinco equipes, sendo o Amazonas, a Sociedade Desportiva Blumenauense (hoje GE Olímpico), o Recreativo Brasil (hoje Blumenau), o 21 de Abril de Gaspar e o Victória Futebol Clube, do bairro da Velha.

A empresa Artex aterrou o estádio em 1974, após anexar a Empresa Industrial Garcia. No mesmo ano aconteceu o último título do Amazonas Esporte Clube, a Taça Governador Colombo Machado Sales, que contou com a participação também de Marcílio Dias (Itajaí), União (Timbó), Carlos Renaux (Brusque), Tupi (Gaspar) e Humaitá.

“Sou torcedor desde garoto do Amazonas. Conheci vários jogadores que atuaram no time desde o início, conta Adalberto Day. “Um dos acontecimentos que mais me emocionou foi a comemoração dos oitenta anos de fundação do Amazonas, no dia 25 de setembro de 1999, na Associação Artex. Foi um encontro de todas as gerações do clube. Não faltaram lágrimas, principalmente quando pronunciei uma crônica sobre as atividades do clube e o porquê do encerramento da agremiação Alvi-Celeste”, relembra o historiador.

“Presenciei muitas partidas memoráveis no estádio da Empresa Industrial Garcia, desde o início dos anos 1960 até o último jogo em 26 de maio de 1974, quando joguei na preliminar”, termina Adalberto Day.

“Se falou muito uma época na construção do Estádio Regional, chegou a ter maquete e tudo nos anos 1970. A ideia era construir na região onde hoje fica o Terminal do Aterro. Mas não foi adiante”, comenta Vilmar Minozzo. “Acho que um estádio poderia motivar mais o futebol da cidade”, completa.

Projeto do Estádio Regional em Blumenau, feito em 1970. Imagem: Fundação Cultural de Blumenau

O futebol profissional de Blumenau terá que jogar fora da cidade

Metropolitano jogará em Ibirama. Blumenau em Rio do Sul. E assim a cidade de Blumenau está oficialmente sem nenhum clube de futebol profissional, visto que os times precisaram mudar de sede para mandar seus jogos no Alto Vale. Existe o projeto do estádio municipal, mas está parado.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Meio Ambiente
Mudanças climáticas provocam crescimento de 74% nos desastres naturais desde o ano 2000
Economia
Pix chega a 30 milhões de chaves cadastradas em oito dias
Esporte
De campeão à rebaixado: os 11 minutos decisivos para o Cruzeiro
Educação
Comitê escolhe 26 de outubro como data para a volta às aulas presenciais
Economia
Você sabe como funciona uma empresa júnior?
Saúde
Outubro Rosa reforça a importância de prevenir o câncer de mama
Esporte
Clubes inovam com campanha na retomada do campeonato de futsal
Meio Ambiente
Clima de Santa Catarina nos últimos meses influencia queimadas e estiagem
Cultura
Semana da Língua Alemã: conhecimento, trocas de experiências e tradições
Gestão pública
Blumenau flexibiliza atividades ao passar para a matriz de risco de nível alto