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Esporte

De Blumenau à seleção brasileira: conheça a história de João Camargo, técnico do Basquete Feminino de Blumenau

Técnico que atua em Blumenau há mais de 38 anos e é um dos principais nomes do esporte no país

17 maio 2019 - 18h20Por Edemir Júnior

Mais de 42 anos atuando diretamente com o Basquete, há 38 como treinador, reconhecimento nacional e seleção brasileira. Esse é só um pouco do currículo que João Camargo leva consigo. O técnico do Basquete Feminino de Blumenau, que disputa a Liga Nacional, e auxiliar-técnico da seleção em 2018 e cotado para esse ano novamente, contou um pouco de sua história. Confira abaixo:

TAL: Como começou a sua paixão pelo basquete? Quais foram os primeiros passos?

Camargo: Comecei a jogar basquete com 10 anos, na cidade onde eu nasci, no interior de São Paulo, chamada Itapeva, que quase faz divisa com o Paraná. Eu lembro até hoje que era uma quadra que tinha 10 rodinhos e três bolas, pois era uma quadra aberta, de cimento. Era muito diferente do que é hoje. Aprendi a jogar nas aulas de educação física e fui desenvolvendo. Em 77 fui a São Paulo fazer um teste no Palmeiras e passei. Joguei lá três anos, nas categorias de base. Joguei um ano em Campinas, no adulto, até que em 81 recebi o convite para vir a Blumenau, jogar aqui e estou até hoje. Joguei até no ano de 90, nos jogos abertos, inclusive aqui no Galegão. Paralelo a isso, comecei a trabalhar como técnico nas categorias de base, no mirim, e de 85 a 2000 no masculino. Em 2002, comecei a trabalhar no feminino, onde estou até hoje. Tivemos grandes vitórias, estamos fazendo um grande trabalho aqui no feminino. Estou há 38 anos a função de técnico, é muito tempo!

TAL: Nós vivemos no país do futebol, que é o Brasil. Você nunca teve paixão por outro esporte?

Camargo: Na verdade, hoje não acontece tanto. Mas na minha época de infância, quem nos ofertava a possibilidade de aprender outros esportes eram os professores de educação física. Joguei vôlei, handebol e futebol, sempre tive gosto pelos esportes em geral. Tanto é que me formei em educação física, trabalhei muitos anos como professor. Uma coisa desencadeou a outra. Aprendi muita coisa, o esporte nos ensina. Me sinto uma pessoa realizada. Em 2018 me aposentei como professor, mas continuei aqui no Basquete de Blumenau. São as duas paixões que eu tenho, me sinto totalmente contemplado.

TAL: Quando você veio a Blumenau, em 81, veio somente para jogar basquete ou tinha família aqui na cidade?

Camargo: Eu tinha 20 anos na época. Quando eu vim, também vieram outros atletas. Diferente de hoje, o esporte movimentava muito a cidade. Blumenau tinha uma hegemonia no Jogos Abertos. Então eu vim com as condições de estudar e jogar. Morava na fundação, onde hoje fica a pró-família. Basicamente, trabalhava a tarde no colégio. Primeiro colégio que eu trabalhei foi o Francisco Lanser, no Tribess. Eu lembro que na época, a rua nem era asfaltada. Hoje tem um belo ginásio lá, o bairro cresceu bastante. Mas eu vim com a proposta de ter espaço para trabalhar. Depois, claro, casei, tive minhas duas filhas aqui. 

TAL - Então, apesar de ser paulista, você tem propriedade para falar do assunto. Blumenau tem hoje várias modalidades na mais alta esfera a nível nacional, mas com orçamentos menores que outros centros. Ainda falta muito apoio financeiro aos clubes e atletas da cidade?

Camargo: Podemos ter dois olhares: o primeiro é que Blumenau, em termos nacionais, se destaca muito. Eu não vejo outra cidade que consegue colocar tantas equipes em elite nacional como Blumenau. O outro é que pelo poderio, pela condição de Blumenau, que puxa o estado em termos de emprego, dinheiro, uma cidade que é muito importante aqui em Santa Catarina, acho que deveria ter mais investimento sim. Não falo nem do poder público, que já nos ajuda bastante, mas sim dos empresários, que poderiam ter um olhar diferente para auxiliar as modalidades. Fica muito difícil para nós, por exemplo, quando vamos disputar uma liga nacional. Temos conseguido, mas é um trabalho diário. O vôlei, que agora subiu para a Superliga A, vai ter que correr atrás de muita ajuda, pois o nível de exigência é muito maior. É um desafio de todos nós que trabalhamos com esporte, buscar sempre parceiros que viabilizem nosso trabalho.

TAL: Paralelamente a esses parceiros, temos também o apoio da população nas arquibancadas, que ainda é muito pequeno. O que falta para Blumenau, por parte da população, apoiar mais as equipes daqui?

Camargo: Eu penso que o blumenauense é um público exigente. Eu sempre olho para trás para poder valorizar: o basquete feminino, há três anos, tinha média de público de 100 pessoas por jogo. Hoje, já passa de 500. Nós gostaríamos que enchesse o galegão, claro. Mas sabemos que isso depende da qualidade da nossa equipe. Estamos com um grande time, temos jogado jogos com um bom nível. O vôlei conseguiu encher o galegão na final, muito também porque teve uma grande mobilização em torno da partida. Acho que com essas mobilizações e um time vencedor, conseguiremos fazer um bom caldo. Estamos no caminho certo, penso eu. 

TAL: Seleção brasileira: você foi auxiliar-técnico em 2018. Como foi essa experiência?

Camargo: Fiquei muito feliz, pois São Paulo é a “capital” do basquete nacional. Então, você consegue ser lembrado pelo trabalho feito de uma cidade no sul do Brasil, quando ficamos em quarto no ano passado, e você consegue despertar o olhar de quem está lá, é muito gratificante. Não só eu fui lembrado, como a Bruna Rodrigues (técnica das categorias de base), o que mostra que estamos fazendo um grande trabalho. Furar esse núcleo de São Paulo é muito difícil. 

Mas a experiência foi maravilhosa, poder contribuir com o nosso conhecimento para a seleção brasileira, trocar experiência e também trazer novos conhecimentos para Blumenau, onde vai reverberar para todos os lados, tanto no profissional quanto na base.

TAL: O que esperar do seu futuro e também do Basquete Feminino?

Camargo: Bom, eu me sinto muito motivado para seguir firme. Estou estudando bastante para cada vez aprender mais. Fico muito feliz com o que estamos fazendo aqui. O Basquete feminino está evoluindo cada vez mais, temos um grupo muito forte. Pretendo fazer com que cada vez mais o basquete esteja em evidência. 

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