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Coronavírus

Esporte blumenauense tem dificuldades para arcar com os compromissos

Clubes esportivos da cidade buscam alternativas para se manterem ativos em meio a paralisação das atividades gerada pela pandemia do Covid-19

07 julho 2020 - 20h22Por Thiago Gomes

Desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, as mais diversas áreas da sociedade estão sofrendo consequências financeiras por causa das paralisações e proibições de aglomerações. O esporte, por exemplo, foi completamente paralisado em âmbito amador e profissional devido aos decretos de isolamento social para evitar a proliferação da covid-19. Desse modo, as mais diversas modalidades esportivas estão tomando medidas drásticas em relação aos principais campeonatos, como o término ou adiamento da temporada. As motivações são muitas, como a falta de verba, por exemplo, já que os patrocinadores estão evitando gastos considerados não tão importantes (patrocínio à clubes) além da falta de renda das bilheterias.

No quesito esporte a cidade de Blumenau é muito forte. Alguns dos expoentes são as equipes de futsal, basquete feminino, vôlei masculino e handebol feminino que estão nas divisões principais, além do basquete masculino e vôlei feminino que estão nas divisões de acesso para as principais ligas de suas modalidades.

Esse momento conturbado causado pela pandemia afetou diretamente os clubes esportivos blumenauenses, que estavam nas disputas nacionais paralisadas. Um deles é o Basquete Feminino, que estava prestes a começar sua campanha na Liga Feminina de Basquete (LFB).

“Nós estávamos bem preparados para começar o campeonato, mas na véspera da viagem para a primeira partida a competição foi paralisada, antes mesmo de começar” – comenta Péricles Espíndola, presidente da equipe.

Basquete Blumenau em ação pela LBF 2019 contra o Vera Cruz. O adversário é um dos principais concorrentes ao título da Liga. Foto: Vitor Bett/BFB

A falta de jogos atrapalha os planos relacionados a captação de patrocínios e apoiadores por parte do clube, que é a área mais importante, pois é ela quem viabiliza todas as ações de uma equipe. Com os desdobramentos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus, alguns dos patrocinadores acabaram rompendo com o clube. Apesar das não realizações dos campeonatos, os salários e demais despesas continuam tendo de ser pagos, tornando a dificuldade de arcar com os compromissos muito mais difícil, já que as fontes de rendas estão reduzidas:

“Nós tivemos perdas de patrocínios. Tínhamos também alguns alinhados para toda a temporada e outros que iriam nos apoiar nos jogos da liga, mas alguns deles acabaram não conseguindo mais participar do projeto, a gente entende” – explica Espíndola.

Com o adiamento do início da competição e a recomendação para se manter o isolamento social, o Basquete Feminino visa também manter o condicionamento físico das atletas para o retorno da liga. Sendo assim, o time está tomando algumas medidas para manter os exercícios das atletas:

“A preparação técnica e física está sendo realizada de maneira individual, com cada atleta em sua casa e com as instruções de treinamento mediadas por tecnologia”- completa o presidente.

Atletas do Basquete Blumenau são instruídas a fazerem exercícios em suas respectivas casas. Foto: Redes sociais secretaria municipal de esportes de Blumenau.

Espíndola comenta que as atividades não param pois há a sinalização de um possível retorno da competição:

“A Liga de Basquete trabalha para realizar toda a competição no mês de agosto, porém, apenas se todos os clubes participantes estiverem de acordo”. Além da decisão dos clubes, é necessária uma autorização por parte das cidades e estados que vão sediar as partidas.

Diferentemente da competição de basquete, que optou pelo adiamento de seu principal campeonato, a Superliga de vôlei decidiu encerrar sua competição nacional, optando por manter a tabela da última rodada disputada antes da paralização como definitiva. A APAN Vôlei Blumenau estava na sétima colocação, praticamente classificada para as fases finais da competição, mas viu seu bom desempenho ser interrompido pelo encerramento do campeonato por conta da Covid-19. Outra diferença na situação da Superliga em relação a Liga de Basquete Feminino foi o fato de a competição de vôlei estar próxima do fim, o que amenizou o impacto econômico do time blumenauense:

“Com o término da Superliga, nós já tínhamos um planejamento para redução de custos, os atletas com contrato até abril, por exemplo, encerraram seus contatos” – comenta o professor André Donegá, técnico da APAN.

Donegá comandando a APAN contra o SESI no último jogo da equipe pela Superliga 2020 em casa. Foto: Divulgação/APAN

A mesma situação aconteceu em relação aos patrocinadores:

“Todos eles, sem exceção, cumpriram seus contratos. Alguns deles iam até o abril e outros até o fim da temporada, mas todos estão arcando com seus compromissos perante o clube” – afirmou Donegá.

A questão dos treinamentos, assim como os quesitos citados anteriormente, não se assemelha ao basquete:

“Há uma recomendação de treinamentos, mas nada obrigatório, pois este é o período de férias para os atletas, além deles já estarem acostumados a cuidar da saúde em momentos de recesso” – completa Donegá.

O futebol, assim como os demais esportes, também não fica de fora quando o assunto é coronavírus. Em Blumenau, o Clube Atlético Metropolitano se prepara para voltar aos gramados, onde vai disputar a série B do campeonato catarinense. Sem jogar desde o mês de abril de 2019, a equipe viu sua volta ao futebol profissional ser atrasada ainda mais pela pandemia:

“Nossa dificuldade hoje é a falta de previsão para o início da competição. A gente tinha programado para voltar os treinos em abril, mas com a indefinição do início da série B, não temos data para começarmos os trabalhos no campo” – disse Edimar Russi, diretor de Marketing do clube.

Russi, à direita, com a taça da série B do campeonato catarinense vencida em 2018. Foto: Acervo Edimar Russi

Em uma situação semelhante ao voleibol, o Metrô não estava em meio a uma disputa de campeonato, logo, o time têm poucos funcionários em atuação, fazendo com que seja possível arcar com as despesas mensais.

Para a série B, o Metropolitano tem uma parceria encaminhada com uma empresa que vai conduzir as ações no futebol, ou seja, montar o elenco de jogadores para a disputa da competição:

“A parceria já era para estar firmada, mas a indefinição sobre a volta do estadual atrasou o início dos trabalhos da empresa que vai gerir o futebol do clube” – concluiu Russi.

Em meio aos impasses citados causados pela pandemia, a prefeitura de Blumenau, por meio da secretaria de esportes, ajuda os clubes esportivos financeiramente, além de disponibilizar locais adequados para a prática de vários esportes:

“A prefeitura é um braço do projeto da APAN, pois temos um contrato para gerir o voleibol de base do município.” – lembra Donegá.

Prefeito Mário Hildebrandt (à direita), em uma das transmissões ao vivo diárias sobre a pandemia pelas redes sociais. Foto: Reprodução/ Facebook Prefeitura de Blumenau

Espíndola também comenta sobre a importância da prefeitura no apoio financeiro dado pela autarquia, ainda que reduzido por conta da pandemia:

“A prefeitura é um grande apoiador do basquete feminino, assim como a secretaria de esportes, principalmente com as bolsas para atletas”.

Com o futebol, porém, a situação é distinta segundo Edimar Russi:

“A prefeitura contribui muito pouco. Existe um patrocínio da Oktoberfest que foi dado em 2019, mas ainda é um valor baixo perante as despesas do clube”.

Os treinos e campeonatos dos times em questão ainda não tem data para recomeçar. O debate para a volta das práticas esportivas é grande em todo o país, principalmente por causa de clubes na Europa, por exemplo, que já estão voltando a atuar. Essa volta vem influenciando diversas instituições esportivas no Brasil a tentarem retomar os calendários de suas respectivas modalidades o mais rápido possível.

 

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