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Cultura

Entre passos e movimentos germânicos

Enquanto giram pelo salão, ao som animado característico, os grupos de danças folclóricos mantém viva a tradição germânica

04 dezembro 2019 - 16h02Por Karoline de Souza

A dança sempre esteve presente em todos os grandes momentos da história e até hoje faz parte do nosso cotidiano. Ela faz parte, principalmente, de um dos aspectos mais íntimos do ser humano: a cultura, pois é através dela que carrega-se a tradição e história de um povo. 


As tradições e influências ligadas à cultura europeia foram determinantes para a criação de um ambiente favorável à dança na cidade. Para que os primeiros grupos de dança, música, canto e teatro se desenvolvessem, as associações recreativas foram fundamentais, já que surgiram na mesma década em que a cidade nasceu.

Pioneirismo e integração

No ano de 1984, ocorreu a primeira edição da Oktoberfest em Blumenau, ano em que também iniciou o primeiro grupo de danças folclóricas, o Bluemanauer Volkstanzgruppe, com o apoio do Centro Cultural 25 de julho. Com 35 anos de atuação,  o grupo possui laços de amizade com grupos da Alemanha e Áustria, promovendo intercâmbios. “Já estivemos quatro vezes em turnês na Europa (em 2000, 2006, 2013 e 2019), dançamos com grupos de lá, ficamos hospedados nas casas dos integrantes e fortalecemos ainda mais a amizade”, conta Roswitha Ziel, uma das responsáveis pela coordenação do grupo. 


A ideia de ter um grupo de danças folclóricas alemãs na cidade deu certo e outros grupos começaram a se originar a partir deste, com ex-integrantes do primeiro e em diferentes locais na cidade. Conforme as danças se propagaram pela região, os grupos perceberam que havia a necessidade de uma associação cultural, onde seria possível promover a integração e atender grupos que surgissem com o tempo.  Porém, somente em 1993 que foi criada a Associação Folclórica Germânica Médio Vale do Itajaí (AFG). A entidade nasceu com a intenção de manter a cultura e atua hoje em diversos eventos de Blumenau e região, além de serem responsáveis por organizar as apresentações do grupos durante os dias de Oktoberfest, tanto nos pavilhões como nos desfiles. 


“As danças folclóricas germânicas aqui em Blumenau são passadas de geração para geração e com as festas típicas, faz com que os grupos se fortalecem cada vez mais, já que vem se apresentando com mais frequência e proporcionando o mantimento da cultura alemã”, explica a professora e coreógrafa premiada em festivais do Brasil e exterior Ivana Vitória Deeke Fuhrman. Para ela, a dança é importante para socialização, integração, além da parte cultural, educacional, física e a valorização de raízes e tradições.   


Hoje, a AFG é formada 19 grupos, com quase 800 integrantes. Destes, 15 são de Blumenau e quatro da região metropolitana (de Indaial, Timbó, Benedito Novo e de  Guabiruba), eles se dividem nas categorias infantil, juvenil, adulto e master, segundo Ernandes Batista, da Coordenação Eventos de Integração AFG.

Grupo germânico retrata as origens da cidade

Em 09 de julho de 1987 foi fundado o Grupo Folclórico Teutônia, que resgata as origens culturais da Sociedade Recreativa e Esportiva Ipiranga, no bairro Itoupava Seca, em Blumenau. O grupo possui dois trajes históricos que são réplicas de trajes festivos encontrados no norte da Alemanha. “O primeiro, inaugurado no ano de 1989, é da região de Braunschweig, cidade onde viveu o Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, o fundador de nossa cidade. O traje, usado por volta de 1800, coincidentemente e oportunamente representa a cidade Jardim, como Blumenau é conhecida e as cores são do estado de Santa Catarina”, explica a coordenadora do grupo Cyntia Samantha Teske Bona. Ela conta ainda que o segundo traje especial foi confeccionado para comemorar os 20 anos do grupo, em 2007. Desta vez, a vestimenta veio de Harsleben, região onde nasceu o Dr. Blumenau. “Mais uma vez, estamos resgatando a história e prestando uma homenagem à nossa cidade e ao nosso fundador”, destaca. Além destes, o grupo possui ainda o traje chamado “neutro” (DIRNDL), para ocasiões em que o traje histórico não possa ser usado, como em danças do Sul da Alemanha e Áustria. 


A cada ano, existe toda uma expectativa em torno dos desfiles da Oktoberfest e para o grupo não é diferente. O grupo Teutônia participa desde a sua fundação. Cynthia conta que eles estudam e pensam as coreografias da melhor forma para transmiti-las nos desfiles, sempre com originalidade e muita alegria: “nos inspiramos nos desfiles de Munique e as crianças acabam sendo uma atração à parte. Recebemos muitos aplausos pelo pomposo traje que possuímos, o público nos saúda e nos chama para bater foto sempre com a famosa pergunta: o traje é português? (por causa das cores vibrantes: vermelho e verde e os bordados dos lenços). Já fomos chamados de Napoleão (por causa do chapéu de 3 pontas) e já desfilamos na chuva, super empolgados”.


O grupo já se apresentou por vários estados brasileiros. Em toda a sua história, já participaram do grupo cerca de trezentos pessoas. Desde 2010, o grupo conta com as categorias infanto-juvenil, de a 04 a 15 anos, onde ensina as crianças a amar e respeitar a cultura herdada através da dança e mantém um intercâmbio cultural com professores da Alemanha. 
 
 

 

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