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Meio Ambiente

Falta de informação sobre a Febre Amarela coloca Bugios em perigo

Primatas, como os bugios, não transmitem o vírus da Febre Amarela, pelo contrário, também é letal para eles

24 setembro 2019 - 17h00Por Paôla Fernanda Dahlke

Desde o segundo semestre de 2018, Santa Catarina se tornou Área com Recomendação de Vacinação contra a febre amarela (ACRV). A partir de lá, a vacina contra a doença foi intensificada em todo território do estado, tendo como objetivo principal objetivo a vacinação de no mínimo 95% da população. Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), até julho deste ano, 74,15% dos catarinenses já foram vacinados contra o vírus.

A febre amarela é um doença infecciosa grave causada por vírus e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (em áreas urbanas) e o Haemagogus (em áreas rurais). O mosquito é infectado ao picar uma pessoa ou animais com a doença e então desenvolve a doença e passa a transmiti-la para quem ele picar. O nome dá doença vem por causa da amarelidão no corpo causada por ela. Além desta, outros sintomas também são: a febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

A doença que já causou duas mortes no primeiro semestre de 2019 em Santa Catarina, também é letal para os primatas. Em decorrência da morte de muitos animais, parte da população julgou o macaco como o causador da doença e ele tem sido caçado por parte da população.

Os primatas, como os bugios, não transmitem a doença, mas são os primeiros a ficar doentes com a circulação do vírus. Segundo o técnico agrícola, e também Secretário de Desenvolvimento Rural de Pomerode, Sirio Jandre, eles são utilizados como indicador para constatar a presença do vírus. “Infelizmente nossos primatas são os principais prejudicados pela doença. O mosquito transmissor está na mesma altura da copa da árvore que os macacos mais estão, tornando-os assim mais vulneráveis a serem contaminados. Entre todos os primatas, o bugio ruivo é o que mais sofre em nossa região”, afirma Sirio.

O Bugio Ruivo é o primata mais abundante no estado e tem como principal característica seu tom de pelo castanho escuro com dourado e o ronco de comunicação.
Crédito: Thiago Campos da Silva

O médico Marcos Bonmann explica que não existe um tratamento próprio para a febre amarela, por isso ressalta a importância da vacina. “Não existe um medicamento específico para tratar os danos causados pelo vírus no organismo humano. Por isso é importante a vacinação em si, onde os anticorpos serão produzidos, nos protegendo contra a inoculação do vírus”, confirma.

Em Blumenau, Secretaria de Promoção da Saúde oferece gratuitamente a dose única contra a febre amarela. Desde setembro do ano passado, as ações de vacinação contra a doença foram intensificadas para evitar que a doença chegue à cidade. Em 2019, mais de 75 mil doses da imunização já foram aplicadas no município. A vacina é disponibilizada durante todo o ano e é importante ter em mãos a carteira de vacinação quando da aplicação.

O bugiu ruivo

O Bugio Ruivo ou Bugio Marrom (Alouatta guariba) é o primata mais abundante em Santa Catarina. Vive em grupos, em árvores de 10 a 20 metros. Seu hábito social é a vida em grupos, formados, em média, com três a oito indivíduos. Tem como principal característica ser “ronco” que pode ser ouvido a cerca de 5 Km de sua localização. Hoje é o macaco mais vulnerável à febre amarela. Segundo o Dive, cinco mortes foram confirmadas em 2019 no estado. Por falta de conhecimento da população, alguns animais foram mortos sendo acusados como transmissores da febre amarela, apesar de serem vítimas assim como o ser humano.

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