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Esporte

Futebol em Blumenau: perspectivas para uma cidade sem estádios

Como fica a situação dos clubes da cidade com o estádio do SESI não sendo mais alugado para o futebol profissional

26 maio 2020 - 10h30Por Marco Aurélio Júnior

Após o anúncio de que a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) não alugaria mais o estádio do SESI para o Metropolitano a partir de 2020, Blumenau ficou sem nenhum local adequado para o futebol profissional. Quarta maior economia e terceira cidade mais populosa do Estado, com uma população estimada pelo IBGE de 357 mil habitantes, a capital brasileira da cerveja não conta com um estádio municipal para a disputa do esporte mais popular do país.

Desde 2017 a cidade sedia dois clubes filiados à Federação Catarinense de Futebol: o Clube Atlético Metropolitano e o Blumenau Esporte Clube (BEC). O primeiro é um time que atua na segunda divisão do campeonato estadual, enquanto que o segundo disputa a terceira divisão. Ambos foram rebaixados de categoria em 2019.

Para jogar no SESI, os clubes blumenauenses tinham de desembolsar cerca de R$ 10 mil por partida em 2019. Os times precisavam pagar este valor cada vez que eram mandantes de um jogo porque o estádio com capacidade para pouco mais de 3 mil pessoas era a única opção na cidade. Agora, com o estádio indisponível para aluguéis a partir de 2020, os times da Blumenau ficaram sem local para realizar as suas partidas.

Estrutura que era alugada recebeu críticas dos torcedores


Além de ter impacto nas finanças dos clubes da cidade, a estrutura do SESI recebeu críticas de alguns torcedores. Um exemplo destas críticas foi dado pelo torcedor Luan Tamanini, torcedor do Metropolitano, para quem a estrutura do SESI não era tão profissional assim.

“Uma cidade como Blumenau depender do Complexo do SESI para ter futebol é um absurdo. Na minha opinião, um estádio com apenas um portão de acesso deveria ser proibido”, comenta.

Para o torcedor do clube de Blumenau, a estrutura do SESI era boa, “de certa forma”, mas não condizia com a realidade do esporte: “Torcedores distantes do campo, deixando o clima frio e favorável aos adversários. Faltam banheiros, o que contribui para a formação de filas nos intervalos para acessar o único banheiro do estádio. E o corredor para ter acesso aos demais locais da arquibancada divide espaço com as barracas de bebida e comida, o que torna quase impossível transitar e sair limpo dessa aventura", protesta Luan Tamanini.

Sem opção na cidade, clubes treinam e jogam em outros municípios


A notícia de que o SESI não seria mais alugado para os clubes de futebol da cidade pegou os dirigentes do Metropolitano de surpresa em 2019. Enquanto o BEC já estava jogando na cidade vizinha, Indaial, pagando cerca de R$3 mil por jogo, o Metrô ainda mandava suas partidas no SESI no último ano.

O Verdão do Vale - apelido dado pela torcida ao Metropolitano - jogava no SESI desde a sua fundação, em 2002. Porém, em alguns momentos, o clube precisou jogar suas partidas em cidades vizinhas. Isso ocorreu nas situações em que o SESI passou por obras na pista de atletismo e quando precisou ser fechado por uma obra geral no estádio. Nessas ocasiões o Metrô chegou a jogar em Brusque, Timbó, Itajaí e em Jaraguá do Sul.

Assim como ocorreu no passado, a diretoria do Metropolitano teve de correr contra o tempo para encontrar um estádio adequado para jogar em 2020. Até que o campeonato estadual fosse interrompido por conta da pandemia do coronavírus em março de 2020, os dirigentes do clube definiram que o Verdão do Vale disputará suas partidas no Estádio da Baixada, em Ibirama, cidade distante 72 km de Blumenau.

O estádio Hermann Aichinger (conhecido como Estádio da Baixada) comporta cerca de 6 mil torcedores. Foto: futebolbrioso.com

“Primeiramente, procuramos Indaial. Fomos bem recebidos, mas lá tinha muita coisa pra arrumar na estrutura. Teria que levantar arquibancada, ajustar algumas coisas, o que ficaria fora do nosso alcance financeiro. Depois, avaliamos Timbó. Mas lá tem o time de futebol americano usando o mesmo campo, então o gramado fica bem surrado. Pomerode também não tinha muita estrutura para isso. Enfim, fomos em tudo que é lugar”, explica Jurival da Veiga, diretor de patrimônio do Clube Atlético Metropolitano.

A procura do clube blumenauense por um estádio para jogar suas partidas terminou na quarta cidade procurada. “Aí surgiu Ibirama. O time de lá já jogou alguns campeonatos catarinenses, inclusive houveram duas finais no estádio, então tem alguma estrutura para comportar segunda divisão estadual, e até a primeira”, complementa Veiga.

Falta de estádio próximo faz time de Blumenau mudar de sede


A falta de estrutura para jogar mais próxima criou uma situação inusitada para o Verdão do Vale. Por conta de uma regra da Federação Catarinense de Futebol, que diz que os times devem jogar até 30 km distantes da sua cidade de origem, o Metropolitano foi obrigado a mudar sua sede para Ibirama. Além disso, as categorias de base do clube começaram - antes da pausa por conta da pandemia do coronavírus - a disputar seus jogos em Apiúna, ficando dentro do limite permitido.

O contrato do Metropolitano para utilizar o estádio em Ibirama é de três anos. “Não vamos construir um estádio do dia pra noite, então fizemos um contrato maior com Ibirama para garantir mais tempo com um lugar para jogar”, explica Jurival da Veiga.

Projeto aprovado, mas sem verba

Projeto do estádio municipal está pronto. Imagem: Volkmann Arquitetura/Divulgação

A construção de um estádio municipal é um assunto antigo em Blumenau. Desde a demolição do Aderbal Ramos da Silva (Deba) - antigo estádio do BEC - em 2007 por conta de dívidas do clube, o torcedor blumenauense pede por um espaço público para que os times não dependam do SESI, que era privado e cobrava um alto aluguel dos clubes.

Em conjunto com a Fundação Municipal de Desportos, hoje Secretaria, a diretoria do Metropolitano elaborou um projeto de um estádio público para Blumenau. A proposta era que a estrutura fosse erguida no terreno ao lado do Centro de Treinamentos do Verdão, no Badenfurt.

Sede social do Metropolitano já está sendo utilizada e estádio municipal ficaria no terreno ao lado do prédio. Foto: Patrick Rodrigues/Santa)
 
Foram necessárias diversas tentativas até o projeto ser aprovado em âmbito municipal, estadual e nacional. Apesar do estádio público ter sido aprovado, falta verba para começar as obras, avaliadas em mais de R$12 milhões. Devido ao alto investimento necessário para concretizar o projeto, a iniciativa está parada em Brasília, aguardando o financiamento do governo federal.

“Temos o arquiteto e o engenheiro junto conosco, temos o local, temos tudo. Mas para o estádio ir pra frente precisamos da verba. Tá tudo projetado, tudo muito bem feito, e é um estádio municipal, público, não é um estádio do Metropolitano. Qualquer um pode ir lá jogar”, explica o diretor de patrimônio do Verdão.

Críticos questionam o uso do estádio apenas pelos times de futebol da cidade


Uma das principais críticas do público que não acompanha o futebol de Blumenau ou daqueles que gostam do esporte mas que não seguem os times da cidade é que a verba pública que seria gasta com o projeto do estádio municipal deveria ser aplicada nas áreas da saúde ou da educação. Mas por se tratar de uma verba destinada para a área do esporte, se os recursos não forem aplicados no estádio em Blumenau, esta verba será destinada pela pasta de esporte em outro lugar.

O ex-presidente da Fundação Municipal de Desportos (FMD), Egídio Beckhauser, é da opinião de que o estádio não deveria ser exclusivo para o futebol, mas precisa movimentar e beneficiar a comunidade como um todo.

“Eu entendo que hoje não podemos nem falar mais em estádio de futebol. Acho que devemos falar em uma arena, que consiga abranger outras atividades também. Que tenha possibilidade de absorver eventos, feiras, convenções, ou até mesmo ter salas comerciais e posto de atendimento médico. É necessário pensar em um benefício para a comunidade”, sugere Beckhauser.

Em Santa Catarina existe um exemplo de estrutura que segue a linha do que o ex-presidente da FMD recomenda para Blumenau: a Arena Condá, em Chapecó. O time da cidade, a Chapecoense, jogava até 2019 a série A do campeonato brasileiro no estádio municipal e em 2020 disputou, até março, antes das partidas serem interrompidas pela pandemia, a série A do campeonato catarinense na mesma estrutura.

A Arena Condá pode ser classificada como um complexo esportivo e multiuso construído com verba pública. Além de abrigar as partidas do clube de futebol da cidade, no local funcionam as secretárias de saúde e de esportes do município, assim como são oferecidos alguns serviços do SUS. A estrutura abriga, ainda, salas comerciais e espaços destinados aos demais esportes, como sala de xadrez e ginásio poliesportivo.

Serviços do SUS atrás de uma das arquibancadas da Arena Condá. Foto: Google Maps

“O estádio acaba ajudando apenas o futebol mesmo, porque ali são promovidos os campeonatos do futebol amador e os jogos da Chape. Mas o complexo em geral serve para a comunidade, sendo um ambiente público com serviços essenciais e de apoio”, comenta o treinador da equipe de xadrez de Chapecó, Marco Barbosa.

Confira o comentário do enxadrista de Chapecó e torcedor da Chapecoense, Derlei Alex Florianovitz, sobre como a Arena beneficia o município e a comunidade:

Para comparar, a cidade de Chapecó tem, segundo estimativas do IBGE, 220 mil habitantes, cerca de 127 mil pessoas a menos que Blumenau. A Arena Condá tem capacidade para aproximadamente 22 mil pessoas, o equivalente a 10% da população da cidade. Enquanto isso, o SESI, que era alugado para os clubes de futebol de Blumenau até 2019, tem pouco mais de 3 mil lugares – ou seja, capaz de atender a menos de 1% da população do município.

Na avaliação do ex-presidente da FMD, Egídio Beckhauser, passou da hora de Blumenau contar com uma espaço adequado para o futebol profissional do município. “Precisamos viabilizar isso para a cidade porque é uma carência (do município). Temos dois clubes que precisarão jogar fora daqui. Isso nos preocupa. Claro que somente com recurso federal ou privado para conseguir, considerando o tamanho do investimento necessário, mas é preciso dar os passos. É de suma importância para o futebol do município”, opina.

Segundo o projeto do estádio municipal, aprovado nas três esferas governamentais, o local terá capacidade para 3 mil pessoas, assim como o SESI. Um diferencial do projeto é que a estrutura do estádio será construída de maneira adaptável, permitindo a sua ampliação sem necessidade de grandes mudanças ou investimentos.

“O projeto conta com quatro módulos, partindo de cinco mil lugares até chegar a 20 mil. Mas fomos nos adequando que estavam nos sugerindo, de fazer com menos e conseguir construir o estádio. Por isso três mil pessoas, que é a exigência mínima da FCF. Com isso, o projeto acaba sendo de construir com menor capacidade primeiro e depois seguir com os módulos”, disse Jurival da Veiga.

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