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Empreendedorismo

Mulheres empreendedoras: conheça histórias inspiradoras de lideranças do Vale do Itajaí

Atuando em diferentes áreas, empresárias aconselham quem deseja empreender e reduzir a desigualdade de gênero nos negócios

20 maio 2020 - 11h11Por Giulia Godri Machado

Mulheres à frente de negócios lideram e inovam. Mas pesquisas mostram disparidade entre a quantidade de homens e mulheres que abriram e mantiveram o próprio negócio no estado.

O desafio para as mulheres que buscam igualdade no empreendedorismo em Santa Catarina faz parte de uma realidade nacional. No relatório do Fórum Econômico Mundial de 2019, o Brasil ficou na 92ª posição no ranking de igualdade de gênero entre 153 países.

Na busca de melhorar este ranking de desigualdade no empreendedorismo, surgem iniciativas que visam integrar as mulheres em cargos de liderança nas empresas e organizações. A Associação Empresarial de Blumenau (Acib), por exemplo, criou o núcleo Mulher Empresária em 1997. Essa iniciativa reúne mulheres empreendedoras com o objetivo de formar liderança, incentivar o associativismo e aumentar a participação da mulher nos negócios.

A coordenadora do núcleo, Adriane Meienberger, explica que são feitas reuniões com as associadas do programa uma vez por mês. Também são promovidos eventos como palestras, ações sociais e cursos. Podem participar do núcleo mulheres empresárias e executivas, que ocupam cargos de liderança, profissionais liberais e empreendedoras.

Na opinião de Adriane, as mulheres estão buscando cada vez mais pelo empoderamento feminino, elemento importante para quem quer empreender. “A mulher precisa entender, aceitar e se sentir capaz de também ter o seu próprio negócio e de administrar sozinha a sua empresa.”, afirma. Ela acredita que esse sentimento de “sentir-se capaz” seja um dos principais desafios para o surgimento de mais negócios liderados por mulheres.

 “Lembre-se que empreender está dentro de você”
 

Adriane conta que a gestão 2019/2021 do núcleo da Mulher Empresária da Acib, foi iniciada com o principal objetivo de encorajar o autoconhecimento individual. Foto: Acervo pessoal/Adriane Meienberger.

Adriane, que também é empresária, abriu a Virato Café em abril de 2015. A empresa é especializada na comercialização de cafés e de insumos para máquinas de bebidas quentes, além de oferecer uma linha de produtos para bebidas geladas.

“O meu lado empreendedor nasceu com a família. Cresci vendo meus pais administrarem seus negócios. Sempre tive vontade de fazer algo para melhorar, mas para que eu chegasse a ter minha própria empresa, foi com muita maturidade e conhecimento. Apesar de todo o preparo, posso afirmar que sempre será necessário a atualização permanente, o excelente relacionamento com pessoas, a preocupação com a comunidade e o meio ambiente, o crescimento da equipe e a melhoria contínua de processos e produtos. É sempre um grande desafio, mas que nos move dia após dia”, conta a empreendedora.

Adriane ingressou nesse segmento por amar café e querer levar até as pessoas que é preciso valorizar essa bebida com produtos de qualidade. “Em muitos e únicos momentos da nossa vida o café está presente”, observa Adriane.

“Usem as características femininas para fazer a diferença nesse mundo empresarial tão masculinizado”
 

Maria tem 60 anos e é empresária há 36 – Foto: Acervo pessoal/Maria Ignêz Keske.

Um outro exemplo de empreendedorismo feminino é dado por Maria Ignêz Keske, sócia e diretora executiva da WK Sistemas em Blumenau. Ela atua na empresa desde 1984, ano em que iniciou suas atividades. “No final do mesmo ano entrei para a sociedade e comecei a análise do primeiro software nacional com janelas sobrepostas, help on-line, intuitivo e fácil de usar”, relembra.

A novidade tecnológica apresentada por Maria Ignêz e equipe foi tamanha que o software virou notícia em agosto de 1985, data de seu lançamento, no Jornal Nacional, principal telejornal do país produzido pela rede Globo.

A projeção nacional ajudou a empresa blumenauense, mas o reconhecimento pelo desenvolvimento do projeto foi dado para Maria Ignêz apenas em 2014, na comemoração de 30 anos da WK Sistemas. “Exigi deles (os outros sócios) uma revelação pública sobre quem analisou, desenhou e criou as janelas sobrepostas, que tornaram a empresa pioneira em software aplicativo. (A revelação) foi uma surpresa geral para todo mundo. Concordei em manter esse segredo como estratégia de marketing durante 30 anos”, explica a empreendedora.

Maria Ignêz sempre esteve engajada com a atuação feminina nos negócios, e foi a primeira mulher a fazer parte da diretoria da Acib, de 1997 a 2001. “Uma entidade centenária e que só era ocupada por homens até então. Eles não sabiam se comportar nas reuniões ordinárias com a presença de mulheres. De vez em quando surgiam piadas em cima das mulheres, mas quando percebiam a nossa presença, ficavam constrangidos e pediam desculpa. Nunca dei muita importância à discriminação, mas claro que sofri um pouco, principalmente entre os sócios. Fazia e criava as coisas, mas quem levava a fama eram os homens”, relembra.

Além de ser pioneira entre as mulheres na diretoria da Acib, a empresária está desde 2001 no Conselho Deliberativo da entidade e foi uma das fundadoras do núcleo Mulher Empresária.

“A presença feminina forte na direção, entre as lideranças e em cargos-chaves, deram à WK um diferencial no mercado, sem precedentes no setor de informática”, ressalta Maria Ignêz.

Uma exceção em um mercado em que cargos de direção e de liderança são desempenhados, de forma majoritária, por homens. De acordo com o Panorama Mulher 2019, apenas 4% dos cargos de vice-presidentes de empresas de tecnologia no Brasil são ocupados por mulheres.

“A dica que eu tenho é: comece, apenas comece”
 

Ana Paula acredita que não há como um negócio crescer sem o auxílio da internet nos dias de hoje – Foto: Reprodução/Instagram.

A blumenauense Ana Paula Dahlke concluiu a graduação em Jornalismo em 2019. Ao finalizar os estudos, viu poucas oportunidades de trabalho no mercado. Como resposta, decidiu empreender e criar a própria empresa. “Eu tive a ideia do Economia SC justamente porque não tinham tantos portais que abordam esse assunto aqui em Santa Catarina. Como eu já tinha experiência de dois anos nesse segmento, decidi continuar (na área)”. O site está desde novembro de 2019 no ar e, em apenas cinco meses, já está entre os cinco maiores portais focados em economia e negócios do estado”, conta a empreendedora.

Ana Paula explica que o lado bom de ter iniciado um empreendimento nesse ramo é poder dar voz a outras mulheres no segmento de economia e negócios, ao divulgar histórias de empreendedoras que atuam em Santa Catarina. “O importante é começar, independente das condições, de ter grana para realizar o negócio que você quer. Comece com as condições que você tem, a partir do que você está disposta a fazer. Porque só assim você vai conseguir testar se a sua ideia vai dar certo para seguir e planejar em médio e longo prazo o que você quer atingir”, explica.

Iniciativas buscam ampliar as oportunidades para as mulheres no mercado


Visando mudar essa realidade e ampliar as oportunidades para as mulheres no mercado de trabalho, existem em Blumenau duas outras iniciativas. A primeira delas foi criada pela Associação das Microempresas, Empresas de Pequeno Porte e Empreendedores Individuais de Blumenau (AMPE) em 1998: o núcleo Mulher Empreendedora. Essa iniciativa realiza encontros mensais para discutir ações para as empresas associadas e busca valorizar o trabalho da mulher e inserir as mulheres nas discussões sobre políticas públicas.

A segunda foi criada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O programa “Sebrae DELAS Mulher de Negócios" é uma iniciativa criada no âmbito estadual e com atuação também em Blumenau, que visa dar o apoio que muitas mulheres precisam para abrir, inovar ou manter seus negócios. Essa assistência é fornecida através de palestras, workshops, mentorias e networking.

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