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Maternidade

Parto humanizado busca nova perspectiva para o protagismo da mulher

Um modelo de assistência que prioriza a mulher e suas decisões sobre o parto, de maneira que ela seja a protagonista deste evento

13 outubro 2019 - 14h00Por Paôla Fernanda Dahlke

O processo de nascimento escolhido pelos médicos e pelas mães refletem no futuro da vida
que está sendo ali concebida. Durante anos a mecanização dos partos com intervenções e
cesáreas frustraram mães por não poderem ter parido aquela criança de forma ativa e
inteira. A mulher não é a protagonista do nascimento do próprio filho dentro da cesárea.

Hoje, nosso país ocupa o segundo lugar dos países que mais praticam cesáreas, segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil 57% dos partos são cesarianas, sendo
que a porcentagem recomendada é 15%. O mais alarmante nestes dados, é que boa parte
dessas cirurgias é feita sem fatores que as justifiquem. Buscando seu protagonismo no
nascimento, cada vez mais mães optam pelo parto humanizado.

O Parto Humanizado busca por um nascimento cada vez mais humano em que as vontades
e o corpo da mulher sejam respeitados. Infelizmente, em nosso Sistema Único de Saúde, o
SUS
, ainda é uma raridade ter um parto mais humano, pois, principalmente, na medicina, o
parto humanizado não condiz com o que os médicos aprendem durante sua formação.

Mesmo que ainda repreendido por alguns profissionais da saúde, são muitos os médicos
que lutam pela humanização do nascimento. Um exemplo disso é a obstetra e ginecologista
Martha Colvara Bachilli, que além de mãe e mestre em saúde, atuando como professora na
Furb, é ativista na luta pelos direitos das mulheres, principalmente na sala de parto. Para
ela, o papel do médico ou da enfermeira em um parto humanizado é garantir a segurança
da mulher e do bebê, intervindo apenas quando necessário.

“O protagonismo feminino nesse tipo de assistência fere o status do médico, que é
socialmente o de todo-poderoso e guardião de todo o saber. Na minha opinião, o obstetra é
um coadjuvante, que tem como função garantir a segurança dessa mulher, seja
proporcionando boa evidência científica para embasar condutas, seja para resolver
emergências cirúrgicas ou complicações que eventualmente, surgirem no decorrer da
assistência”, explica a doutora.

 “Cada vez que eu assisto uma mulher parir eu aprendo mais um pouco sobre esse momento único e sobre o meu papel como profissional nesta cena.” - Martha Colvara Bachilli

Foto: Jô Polastri

Além do obstetra, quem também possui um papel de extrema importância são as doulas.
Elas acompanham as mulheres no processo de gestar, parir e maternar. São educadoras
perinatais e levam informações baseadas em evidências científicas para a mulher fazer
suas próprias escolhas. Para a doula Elisângela Meier, a maior dificuldade é levar um parto
natural para todas as mulheres. “De maneira geral, mulheres com dinheiro acessam
equipes humanizadas, mulheres sem dinheiro ficam à mercê do sistema. Nossa luta é por
políticas públicas de saúde da mulher, com equidade”, afirma Elis, que saiu do magistério
para defender e trabalhar pelos direitos das mulheres.

O papel da doula já começa na gestação em que ela prepara a mãe para receber o filho com atividades como a Yoga e a pintura gestacional.

Foto: Juliete Helga Pedrini

O parto humanizado pode ser realizado em uma casa de parto, hospital ou até na casa da
família, o que importa mesmo é que a mãe se sinta bem e seja apoiada pelas pessoas que
a amam.

Para a doula Elisângela, o parto em casa é uma das melhores opções para quem esteja
com o exames todos adequados. Mas segundo a doutora Martha, por uma decisão
equivocada do Conselho de Medicina de Santa Catarina, os médicos foram impedidos de
atender suas pacientes em casa. “A corporação está sempre em guerra contra profissionais
e mulheres que optam por este modelo de cuidado obstétrico. É um combate ao
protagonismo e à autonomia da mulher, baseado em achismos ao invés de ciência de
qualidade, extremamente corporativista e desproporcional ao irrisório número de partos
domiciliares planejados que ocorrem nesse país”, finaliza.

O nascer natural mostra a mais pura forma de amor. Mostra ao mundo todo o poder e força que a natureza possui.

Foto: Ana e Elis Nascimento

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