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Prevenção

O Medo das vacinas e a falta de abastecimento nos postos de saúde

Santa Catarina terminou o primeiro semestre de 2019 com adesão abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde para as 10 vacinas do Calendário Nacional de Imunização

19 outubro 2019 - 13h00Por Fernanda Tenfen

O Brasil é um país reconhecido internacionalmente por seu amplo programa de imunização que oferta vacinas gratuitas à população através do Sistema Único de Saúde, o SUS, considerado um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Iniciado em 1973, o Programa Nacional de Imunização (PNI) contava inicialmente com quatro tipos de vacina, atualmente, oferece cerca de 27 à população. Mesmo em tempos difíceis na economia do país, o atual orçamento para a saúde chega na casa dos bilhões, R$ 122,62 bilhões exatamente. 

Nos últimos três anos o Brasil, porém, está enfrentando uma queda no número de pessoas imunizadas. Um dos motivos é a onda antivacinação. Algumas das suas justificativas se baseiam em vídeos de Youtube com teorias inusitadas. Em um vídeo de 2018 com mais de 840.000 visualizações um rapaz afobado conta que o vírus da zika foi criado pela família americana Rockefeller, enquanto Bill Gates usou sua fortuna para investir em vacinas. Com o mesmo propósito: reduzir em 15% a população mundial. O mesmo vídeo se repete em outra conta. Esses vídeos em específico foram desmonetizados, os conteúdos que expressem diretamente a ideia de “você não deve se vacinar” violam diretrizes e serão retirados do ar pela plataforma. Os vídeos apenas com teorias da conspiração, mesmo que sejam contrarias a vacinas, são consideradas apenas desinformação e não podem ser monetizados, mas continuarão disponíveis. “Muitos pesquisam pelas reações vacinais e acabam achando alguns números que muitas vezes não são tão significativos assim. Como exemplo, que houve 3 mortes em São Paulo devido a vacinação contra a Febre Amarela, mas esqueceu-se de pesquisar quantas mil pessoas foram vacinadas. Do ponto de vista estatístico na saúde, é um número muito pequeno em relação aos benefícios e número de mortes que previne”, comenta Jaqueline Suzan Borchardt Gustmann, Gerente de Vigilância Epidemiológica de Pomerode.

Por um lado, existe os pais que não vacinam seus filhos por opção e por outro a falta das vacinas nos postos de saúde. Cynthia foi uma das pessoas que veio vacinar a filha de 15 meses e se deparou com o aviso na parede. “Com a quantidade de tributos que pagamos todos os meses não tá pra entender como pode faltar vacina nos postinhos”. reclama a dona de casa. Essas vacinas não possuem previsão de entrega. 

 Não é raro encontrar esse tipo de aviso nos postinhos/ Foto: Fernanda Tenfen

Para as famílias que optam pela não vacinação Jaqueline alerta: “As vacinas são desenvolvidas de forma segura, sendo testadas antes de sua distribuição e aplicadas conforme indicação do Calendário Nacional de Vacinas. As reações graves e mortes são raras. Mas, a vacinação continua sendo a maneira mais eficaz de prevenir um grande grupo de doenças.” 

Em Santa Catarina houve registro de 15 casos de sarampo. Cada pessoa infectada pode transmitir a doença para até outras 18 pessoas. A propagação ocorre pelo ar, através da respiração, tosse ou espirros, e tem início antes mesmo que a pessoa apresente sintomas mais severos da doença. A melhor forma de prevenção contra a doença, hoje, é a vacinação. “Quando uma pessoa é imunizada, protege, de forma indireta as que não foram. Mas, quando ocorrem esses "bolsões" onde, centenas de pessoas não estão imunizadas, faz com que doenças que estavam erradicadas reapareçam, como o Sarampo.” completa Jaqueline. 

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