Menu
Busca Sb, 14 de dezembro de 2019
(47) 99975-9521
Movimento Social

O Vale Europeu também tem Rap

Em uma cidade onde a cultura germânica prevalece, o Rap dá a voz para os marginalizados, mas será que existe espaço para este movimento?

13 novembro 2019 - 13h25Por Elisiane Roden

Em meio à calmaria de um domingo à tarde na região central de Blumenau, acontece o grande evento para os amantes de Rap e Hip Hop da região, a Batalha da Prainha, onde vários MC’s se encontram para duelar, improvisar e rimar. A facilidade de encontrar palavras a agilidade no pensamento são algumas das coisas que chamam a atenção. Aos poucos, os apreciadores do ritmo se encontram e fazem uma roda, embaixo da famosa “concha da prainha”, conhecida pelos Mc’s, como “Coliseu do Rap”. No meio ficam o mestre de cerimônia e os dois MC’s  que irão duelar, cada um tem 30 segundos para realizar a rima e quem decide é o público. A Batalha acontece sempre no último domingo do mês, e são 16 MC’s duelando entre si, pela busca da melhor rima. A premiação é simbólica, o reconhecimento já vale muito.

A Batalha da Prainha surgiu há dois anos, o idealizador Thiago Borgonovo, que criou o evento devido à necessidade de algo democrático voltado para o Rap e Hip-Hop aqui em Blumenau. “No começo era algo para os amigos, depois de um ano percebeu que era algo muito maior, hoje, já é um evento cultural muito conhecido, não somente pelos amantes do estilo musical, mas também já faz parte do calendário de eventos promovidos na cidade”, declara o rapper. 

O Rap é um movimento que chegou ao Brasil nos anos 80, e em Blumenau nos anos 90. Com o aumento da desigualdade social, e elevação do número de ocupações irregulares da cidade, o Rap foi ganhando força, principalmente para quem não se via representado pela música atual dos anos 90, e via no Rap um refúgio, uma forma de expressar todas as emoções e sentimentos da época.

Mcs se reúnem na Prainha, no centro de Blumenau para duelarem na improvisação de rimas na Batalha da Prainha Foto: Elisiane Roden 

Os espaços cedidos para o Rap em Blumenau são poucos. Em um levantamento básico, a cidade tem apenas três casas que acolhem o movimento, mas ainda é pouco, pois apesar de abrirem seus espaços para esse estilo musical, ainda não há ambientes para o “Rap Conscientizador”, como é chamado o Rap que fala dos problemas sociais.
  
Jackson Gonçalves, integrante do grupo de Rap blumenauense Homicídio Verbal iniciado em 2001, comenta que todas as letras do grupo são relacionadas ao cotidiano que ele vive, como por exemplo: a vivência do crime, miséria, política, fé e as dificuldades encontradas durante toda a caminhada da vida. Para Jackson, cantar Rap em Blumenau ainda é um desafio, ele diz que sofre preconceito até mesmo da família, mas garante que sua paixão ainda é maior que isso.“Cantar Rap em Blumenau é um desafio, é um ato de rebeldia contra o sistema, já fui enquadrado diversas vezes só pelo fato de estar participando de eventos de Rap”, relata Jackson.

O Rap é um estilo musical, um movimento, mas, além disso, é uma expressão da periferia, que tem história para contar através das rimas. Blumenau é famosa por expressões artísticas diferentes, mas ainda não há espaço suficiente para o ritmo das ruas, que tanto encoraja jovens, cheios de sonhos, mas sem um lugar para tornar realidade.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Revista
Vozes: Criando raízes no Brasil
Segurança
Casos de Feminicídio seguem aumentando em Santa Catarina
Saúde
Campanha Dezembro Laranja alerta para o câncer de pele
Entrevista
Desafios de comunicação da ONU
Turismo
Regiões afastadas em Blumenau são novas apostas no turismo
Coletivo
Rede de vizinhos busca melhorar segurança nas ruas e comunidades
Política
Cabem todas as vozes na Câmara?
Coletivo
De onde vêm os nomes das comunidades blumenauenses?
Cidade
Blumenau 2050 renova a esperança de levar a comunidade à Prainha
Agricultura
Vida rural em meio à urbana