Menu
Busca Ter, 16 de julho de 2019
(47) 99975-9521
Cultura

Resenha: Pendular, o definhar em partes de um relacionamento em crise

Filme da diretora Júlia Murat foi exibido na mostra "A Arte e Seu Enleio"

11 julho 2019 - 18h16Por Luiz Machado

Exibido na última quarta-feira, dia 11, na mostra “A arte e seu enleio”, do Cinesesc, Pendular apresenta um cru e melancólico relato sobre relacionamentos. Dirigido por Júlia Murat, conta a história de um casal de artistas dividindo um velho galpão de fábrica. Entre seus trabalhos, debates, vida sexual e a eterna procura por suas formas de expressão, os dois vão entrando em conflito com seus processos criativos e isso reflete em sua vida conjugal. Em determinado momento do filme o personagem de Rodrigo Bolzan fala que que é "muito difícil encontrar um gato preto no escuro... Principalmente se ele não está lá." e acho que de todos os diálogos esse foi um dos que mais me marcou principalmente por explanar essa relação de realidade e percepção de realidade.

O que os dois vivem naquele lugar é um microuniverso em que suas mentes e personalidades colidem o tempo todo. E o que começa como um saudável e fofo namoro vai aos poucos se tornando tóxico. Criando uma tensão em pequenas imposições e confrontos diários. A direção é perfeita por conseguir dialogar com o espaço e expressar os sentimentos dos personagens sem verbalizar. 

Mas mesmo dentro dessa pontualidade e atenção do filme, ele não escapa de alguns momentos expositivos e sequências desnecessárias para o resto de sua trama. Se por um lado a beleza da maioria da projeção é falar sem usar palavras, ele acaba caindo em uma série de clichês narrativos óbvios quando tenta forçar para o expectador o sentimento do personagem da maneira mais escrachada possível. Entre esses momentos estão diálogos do personagem de Bolzan jogando videogame online com um garoto, que solta frases de efeito como “Não seria legal se pudéssemos voltar no tempo?” logo após ele ter passado por uma briga com a namorada. Ou no mais emblemático (para mim) que é no auge do desmoronamento do casal de protagonistas, Raquel Karro dança ao som de “Love Will Tear Us Apart” do Joy Division. A cena funciona e é tão emblemática que foi parar no pôster do filme. Mas dentro de tanta subjetividade é impossível deixar de fora a sensação de obviedade, quase como uma piscadinha da diretora para o expectador.

Mas não é nada que comprometa a obra como um todo. Já que ela recupera folego no terceiro ato extremamente devastador e desconfortável. A constante sensação de “vai dar ruim”, como um cutucão da diretora ao longo do filme, é totalmente recompensada com os conflitos finais. Ainda que pudesse explorar choro, birra e gritos, ela opta por algo muito mais simples. Mostrando o domínio de Júlia Murat na hora de desenvolver sua história e personagens. A última cena é muito bonita e fecha bem o ciclo de tragédia amorosa do coração partido de dois artistas tentando achar sua voz.

Trailer:

 

Na próxima semana no Cinesesc

17/07 - “David Lynch, a vida de um artista”

Em uma íntima jornada, o documentário narra sobre os anos que formaram a vida do cineasta David Lynch. Desde sua criação idílica em uma pequena cidade até as ruas escuras de Filadélfia, acompanhamos Lynch à medida que ele traça os eventos principais para a sua formação, assim como para o seu estilo cinematográfico enigmático.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Gastronomia
Inscrições para a 6ª edição do BlumenKuchen estão abertas
Cultura
Biblioteca leva histórias aos pacientes do Santo Antônio
Inverno
Zoológico de Pomerode realiza adaptações para manter os animais aquecidos
Agenda
Confira programas para fazer neste fim de semana
Julho Amarelo
Julho é considerado o mês de prevenção e conscientização das hepatites virais
Cultura
Iniciou nesta segunda-feira (8) a venda de ingressos para a 36ª edição da Oktoberfest
Saúde
Macaco morto por Febre Amarela é encontrado em Santa Catarina
Prevenção
Simulados capacitam equipes de unidades educacionais para emergências
Inverno
Prefeituras de Santa Catarina intensificaram ações para acolher pessoas em situação de rua
Meio Ambiente
Mata Atlântica: a importância para a vida