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Pesquisa estuda composto que pode amenizar os sintomas do mal de Alzheimer

Cerca de 1,2 milh√Ķes de brasileiros convivem com doen√ßas neurodegenarativas

15 agosto 2019 - 19h45Por Luiz Machado e Ricardo Hoffmann

Joãozinho Machado tinha quase 90 anos quando morreu. Em seus últimos anos de vida andava misturando memórias e estranhamente confuso. Entre trocas de nomes dos filhos e lembranças de plantações, onde trabalhava quando mais jovem, enquanto estava no meio da sala de estar, ele parecia igual... Apenas esquecido. “É a idade”, é o que os filhos diziam interagindo com o pai e dando continuidade nas conversas e piadas em família. Ele faleceu ainda lúcido, antes de se perder dentro de sua própria mente. Essa é a realidade de muita gente. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 1,2 milhões de brasileiros convivam com doenças neurodegenarativas. Entre pessoas com 65 anos ou mais, o número é de 11,5% da população. É como se em algum momento nosso cérebro decidisse travar e a mangueira de memórias fosse dobrada, impossibilitando a passagem de informação dentro do próprio cérebro. De repente você não sabe mais se trancou a porta da casa, logo esquece datas importantes e em casos mais sérios se perde quem você é.

Quando se fala em Alzheimer o mal-estar já é garantido na maioria das pessoas. A doença destrói, acaba com a pessoa e não tem uma cura. Ela tem remédios que aumentam o tempo de vida da memória. Mas ainda não tem uma cura. Pelo menos AINDA. “Essa luta de procurar cura para doenças vai ser sempre incessante” explica a mestranda da Universidade Regional de Blumenau, Paula Elaine Bussolo, que realizou sua dissertação de mestrado em cima do estudo sobre a síntese e caracterização parcial de compostos de coordenação, utilizando um ligante de atividade biológica. Ficou confuso?

Primeiramente é preciso entender que a Paula está pesquisando algo que pode servir para tratamentos de doenças neurodegenerativas, tipo o Alzheimer. “Esses estudos eles vão muito atrás de tentar achar e a chegar a algum lugar para ajudar. Na química se não faz remédios, isso é mais da área de farmácia e medicina, mas na química se trabalha os compostos que podem virar esses remédios”, ela explica. Seu trabalho, por exemplo, vai ajudar no banco de dados. Por que ela já chegou a um complexo que se deu certo tem utilidade biológica. Ou seja, tem atividade e faz alterações dentro do corpo humano. Se alguém está procurando algo e desenvolvendo uma pesquisa ainda maior, então ele pegaria o composto da Paula para fazer esse trabalho e saber se isso daria certo como um remédio. Ou se ele realmente é melhor que um remédio que já está no mercado. Ele tem tudo isso. E os pesquisadores tentam sempre aumentar o banco de dados de compostos que tenham alguma atividade biológica para que futuramente alguém consiga já dar avanço a esses estudos.

Na pesquisa da Paula, ela sintetizou compostos de coordenação, que são os que têm metais ligados a eles, e um composto orgânico, não tem nenhum metal. Ela queria saber o que aconteceria se ela modificasse a estrutura deles, se pegasse esse composto orgânico e adicionasse ali um metal. Para ver se ele agiria melhor ou pior, mais ou menos rápido. É esse o interesse da química de coordenação. No caso da pesquisa da Paula ela adicionou na “mistura”, cobre, níquel, ferro e zinco. De todos esses metais o cobre e ferro e zinco deram certo e o composto adicionado ferro acelerou a reação depois de duas semanas de síntese química.

Os conceitos são complicados, mas simplificando muito, ela queria criar uma atividade anticolinesterásica, essa ação de nome grande dá mais vida aos transmissores do neurônio, as pequenas ligações dentro do nosso cérebro. Lembra-se da mangueira citada lá no inicio? É como se ela fosse desdobrada, deixando as memórias passarem e aumentando o tempo de vida da mente dessa pessoa. É um importante trabalho que vai colaborar em uma pesquisa maior que vai resultar em algo que vai melhorar a sociedade. E talvez no futuro, o composto da Paula possa ser usado para desenvolver um novo medicamento que possibilite a pessoas, como o Joãozinho Machado, uma qualidade de vida maior e com suas memórias “organizadas” por um longo período.

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