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Movimento Social

O Rap também é feminino

Nos últimos anos o número de mulheres que representam o gênero musical tem aumentado

04 outubro 2019 - 13h30Por Elisiane Roden
No mundo da música sempre há espaço para inovação e com o rap não é diferente. Nos últimos cinco anos, o número de mulheres que representam o estilo musical teve um aumento significativo, Blumenau serve como exemplo disso, o ritmo das ruas está sendo cada vez mais representado por grandes talentos da região. 
 
O Rap, antes de ser um estilo musical é um movimento social, que expõe uma realidade e luta por questões sociais, em prol da liberdade e igualdade.
 
A mulher luta diariamente no meio social em que está inserida para alcançar as mesmas oportunidades que alguém do gênero masculino, buscando isso, existe o movimento feminista. E no Rap, tudo isso é mostrado, existem poucas mulheres dentro do cenário, por esse motivo, o Rap chama as mulheres e as convoca a serem donas de suas próprias verdades.
 
Mesmo sem o espaço necessário, cada ano que passa o Rap conquista novas admiradoras, como foi o caso de Lilith, Nathasha e Versa, mulheres que carregam e representam o movimento por onde passam. Para alguns parece inacreditável que mulheres saibam rimar ou que façam parte do movimento, como um homem, mas elas provam o contrário.  
 
Janaina Taiana Cardoso Azevedo, mais conhecida como “Lilith”, descobriu o Rap com apenas oito anos de idade, em Santarém, PA. Aos 16 anos, teve um reencontro com o estilo, afinal, ela se via representada nas letras das músicas. “O Rap era exatamente tudo o que eu sentia ou que me faltava, sempre tive o hábito de escrever, escrevia poesia, gostava de cantar e tinha muitas críticas político sociais para externar, juntei tudo e aí surgiu a Lilith”, destaca. 
 
O machismo escancarado, falta de oportunidades e a exclusão no movimento são algumas das barreiras encontradas por Lilith, durante sua vivência. Desde 2016, ela mora em Blumenau, e foi aqui que teve a primeira oportunidade de cantar em público. “Aqui eu me encontrei definitivamente no rap, conheci pessoas com o mesmo sonho e propósitos que eu, que olharam pro meu som, pro meu trabalho e me abraçaram” explica.
 
Lilith. Crédito: Arquivo Pessoal
A rapper Nathasha Mayer faz parte da dupla Ah Somah. A rapper conta que há uma responsabilidade quando ela se manifesta através das suas músicas. “Eu sei da minha responsabilidade quando abro a minha boca, nisso entendo quantas mulheres gostariam de ser representadas ou representar”, declara a rapper. 
 
Natasha Mayer. Crédito: Divulgação
Atualmente vivendo em Florianópolis, a rapper Andressa, conheceu o rap, por meio dos movimentos sociais e foi através das batalhas de rimas que “Versa” nasceu. Ela vê como o rap pode ser importante em sua vida e de outras mulheres. “A arte salva vidas, tira da violência, da depressão, do crime, da falta de oportunidades, ocupar espaço na cultura hip hop é enxergar novas possibilidades e ser exemplo pra muitas que virão depois”, conta. 
 
Versa. Crédito: Divulgação
Para as mulheres e meninas que queiram entrar no movimento, a rapper fala que a principal ação é se jogar, acreditar em si mesma e nunca se reprimir. “Se tem vontade...faz. Ninguém nasce bom, tudo é questão de muito trabalho e prática, se você nunca tentar não vai conseguir mesmo. Isso vale para todo elemento que você deseja dominar, seja o Mc, o break, o grafitti ou a discotecagem”, complementa.

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