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Segurança

Violência doméstica impulsiona iniciativas de combate em Blumenau

Com o aumento das agressões contra a mulher, grupos usam a informação e acolhimento como ferramentas na luta contra a alta de casos

17 outubro 2019 - 14h00Por Mayara Korte

A violência doméstica é uma constante no cotidiano de centenas de mulheres que vivem em Blumenau. A maioria das mulheres vivem em meio a fragilidades familiares e financeiras, necessitando de informação e acolhimento para sair do ciclo de violência no âmbito familiar. Por conta disso, o combate da violência doméstica torna-se a bandeira central levantada por grupos na cidade com o objetivo de lutar contra as agressões e colaborar com o fortalecimento da rede de apoio para vítimas.

 

Dados divulgados pela Polícia Militar de Blumenau em 2018, mostram que durante aquele ano foram mais de 26 mil chamados, sendo 550 casos de violência doméstica, um aumento de 33% em comparação com 2017, quando foram 413 casos de agressões.

 

A violência doméstica e os crescentes casos fizeram surgir movimentos como o Instituto Feminista Nisia Floresta, criado em 2016. “Além de escutar e acolher mulheres vítimas de violência, investimos em educação também: fazer palestras, encontros em escolas, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e empresas”, explica Patrícia Backes, psicóloga e membra do conselho fiscal do Instituto. Para ajudar as mulheres, contam com advogados, psicólogas e inúmeros outros profissionais que colaboram com as orientações e atendem gratuitamente. O papel do Instituto não é substituir as forças que a cidade já possui.

 

O Instituto e seus integrantes agora buscam construir um abrigo, pois não contam com uma sede própria e uma estrutura física para os atendimentos. Para isso, contam com uma vaquinha online para arrecadar os fundos necessários. As vítimas de agressão, normalmente têm total dependência financeira de seus agressores ou precisam sair dos empregos para fugir. Outro ponto é que muitas não possuem suporte familiar ao qual recorrer.

 

A violência de Blumenau é reflexo estadual e nacional

O município faz parte do cenário de violência doméstica que o estado vivencia. Um levantamento efetuado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina revelou um considerável aumento de medidas cautelares resultantes de denúncias de violência doméstica. Enquanto que em 2014 foram 2.528 medidas expedidas, em 2017 o número saltou para 9.581 no estado, um aumento de mais de 7 mil casos.

 

Cristina Scheibe Wolff, pesquisadora e professora do Departamento de História da UFSC, fala que no contexto da sociedade atual, há um aumento das denúncias, mas que ainda prevalece a elevação do número de casos. A professora explica em áudio alguns dos fatores que colaboram para que a violência doméstica ainda tenha índices tão elevados. 

 

Educação para transformar

A informação e mudanças de posturas são ferramentas fundamentais para o combate da violência. Professora Cristina, ressalta a importância da Lei Maria da Penha, que tem um papel punitivo e informativo, assim como considerar a importância da educação para reverter os índices. “As escolas têm um papel importantíssimo. Precisamos discutir nas escolas a questão da violência, da diversidade e dos direitos. E também ir contra os preconceitos, como traz a nossa Constituição Federal.”

 

Patrícia Backes, membro do Instituto Nísia Floresta, explica que o comportamento machista da sociedade reflete no atendimento às vítimas de agressão e por isso os avanços que a educação promove são tão importantes. “A educação de jovens hoje pode melhorar significativamente o futuro das mulheres. É fundamental falar de gênero nas escolas e "plantar essa semente" da igualdade de direitos entre homens e mulheres. Quando falamos em políticas públicas, prevenir é menos oneroso e gera melhores resultados.”

 

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