Menu
Busca Qua, 22 de maio de 2019
(47) 99975-9521
Esportes

A dura realidade dos atletas que buscam um lugar ao sol

Muitas vezes, jovens abdicam da adolescência para seguir buscando o grande sonho

27 abril 2019 - 12h00Por Edemir Júnior e Sávio James

 

Ser um atleta, não é somente representar uma entidade, uma empresa, cidade ou país, é muito mais que isso. Ser atleta é conseguir conciliar vida, amigos e estudo com os afazeres do esporte, ou então, abdicar de tudo isso em troca de melhorar o próprio desempenho. Para ser um atleta é preciso muito mais que qualidade, é preciso esforço e muita coragem para continuar. 
 

Histórias de muitas dificuldades nesse meio são encontradas todos os dias. Problemas financeiros, falta de apoio e a distância da família são os principais motivos que fazem os atletas desistirem de seus sonhos. Fernanda Pietra, que atualmente é atleta de bolão de Blumenau, fala que o que mais pesa é ter que conciliar a vida de estudante com a de atleta, de muitas vezes descansar pouco por conta dos treinos e faculdade. “Já tive vontade de desistir por quase não conseguir conciliar o estudo e treino, com o bônus da falta de apoio financeiro”. 
 

Já para Lucas Brandoni, atleta de karatê da cidade, o mais difícil foi iniciar no esporte, pois ele não tinha “o dom”, mas tinha vontade: “nunca tive grande qualidade como atleta, nunca fui um prodígio, sempre foi baseado em muito esforço treinando por muitos momentos 2 vezes mais que os outros para atingir um bom nível competitivo”.

Para Mikael Miranda, 20 anos, atleta profissional do Blumenau Futsal, que treina desde os seus 6 anos de idade, além de sonhar com isso desde muito novo, o que mais pesou foi ficar longe da família. “Desde muito novo, meu sonho era ser um atleta de futsal, e tive sorte de ter apoio de minha família e amigos, mas ficar longe deles, foi o que mais pesou no início, além de ter de abdicar de curtir a adolescência e dos estudos em troca de um sonho”, relata o jovem. 

 

Mika comemora gol marcado diante de Jaraguá / Foto: Blumenau Futsal / Divulgação.

 

No mundo do futebol é ainda mais complicado ser um atleta profissional de bom nível, visto que o Brasil é o país onde a grande maioria dos homens um dia já sonhou em ser um jogador. A ampla concorrência é ainda mais difícil para quem sai do interior em busca da realização de um sonho, em razão da incógnita de como fazer para entrar na base de clubes profissionais. Para Nathan, ex-Metropolitano e atualmente no futebol bósnio, as principais dificuldades para que vem de cidades pequenas ou de famílias que não tem muitas condições é encontrar uma maneira de fazer um teste ou uma peneira em algum clube, que é o primeiro passo de tudo. 
“Para mim foi muito difícil no começo, eu saí de uma cidadezinha pequena no interior do Mato Grosso, e vim a Blumenau sozinho com 15 anos (hoje, ele tem 19). Quando cheguei fiquei imaginando como eu iria me virar sozinho, sem meus pais por perto, e quanto tempo eu levaria para poder abraça-los novamente. Demorou um ano, e nesse tempo o sonho fala mais alto, o amor pelo futebol e a fé me deixa mais forte”, 

 

Nathan, inclusive, conta que busca forças no pensamento para ter vontade de seguir o seu sonho: “quando estou em um dia mal, querendo largar tudo e voltar para minha família, eu lembro que se eu conseguir ser um grande jogador profissional, eu vou poder dar uma condição melhor para minha família, e com certeza, ser o cara mais feliz do mundo, fazendo o que amo, que é jogar futebol”.

 

Nathan em ação pelo FK Sarajevo / Foto: Instagram / Divulgação.


O caso de quem teve que desistir de um sonho de ser atleta

 

Infelizmente, muitos clubes no Brasil, sejam de qualquer esporte, não podem pagar salários a atletas das categorias de base, devido ao baixo orçamento que essas equipes possuem, recebendo somente uma ajuda de custo. Com isso, muitos atletas deixam de seguir seus sonhos, pois acabam largando o esporte para trabalhar em outros locais, buscando sempre ajudar a família a colocar o “pão na mesa”. É o caso de Daniel Padilha, 19 anos, que desde seus cinco anos jogava futebol, e sempre gostou de fazer muitos esportes, mas que teve que desistir do sonho de ser atleta por problemas financeiros e desânimo de lutar todos os dias e não ter sucesso. “Apesar de eu jogar bem, o que me fez desistir foi ver as coisas erradas que o esporte tem, e também a minha família não tinha mais dinheiro para me manter jogando, além de eu não estar com o meu psicológico em 100%, o que estava acabando comigo”.


Por que muitos atletas de qualidade não conseguem ter sucesso no profissional e acabam largando a carreira precocemente?


Muitas vezes a maturação do atleta chegou mais rápido pra ele na base que nos outros atletas, por isso ele acaba se destacando. Quando vai ao profissional, é ao contrário. Os outros estão acima dele e por ter que ficar mostrando a todo momento que merece estar ali para a comissão técnica, o jogador não acaba rendendo, principalmente no primeiro ano. O jogador acaba não indo bem, e a pressão só aumenta. Então, ele é emprestado para um time menor, com uma estrutura inferior ao que estava e o atleta não fica com vontade de jogar. É uma questão, muita das vezes psicológica.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Pobreza
Mais de 13 mil pessoas ainda vivem em situação vulnerável a pobreza em Blumenau, segundo IBGE
Comércio
“Vamos ter tempos difíceis pela frente”, aponta Emílio Schramm, após levantamento da Fecomércio sobre o dia das mães
Economia
Mudança tributária será aniquilada para setor farmacêutico em 2020
Turismo
Ocorreu nesta quarta-feira (15) a reunião do Plano Municipal de Turismo
TAL 360°
Confira a sétima edição do TAL 360°
Esporte
De Blumenau à seleção brasileira: conheça a história de João Camargo, técnico do Basquete Feminino de Blumenau
Insônia
Insônia atinge 73 milhões de brasileiros, de acordo com a ABS
Homicídios
Casos de assassinatos diminuíram no último ano no Vale do Itajaí e em Santa Catarina
Cinema
Quase 35 mil pessoas já assistiram ao filme “Vingadores: Ultimato”, somente no cinema Arcoplex, em Blumenau
TAL 360º
Está no ar a primeira edição do TAL 360 em 2019. Confira!