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Blumenau

Eça de Queiroz ainda sofre com problema de drogas

Comunidade localizada na Água Verde melhorou bastante nos últimos anos em relação a segurança pública, mas drogas ainda são uma ameaça, relatam moradores

09 outubro 2019 - 15h21Por Edemir Júnior e Júlia Beatriz

“Já esteve muito ruim, com drogas e aquela catástrofe de 2008 (enchentes e deslizamentos em todo o Vale do Itajaí), que ao invés de ficar ruim, melhorou. Hoje em dia está bem melhor. O pessoal saiu de onde caiu as casas que eles moravam, então melhorou o problema da droga... não vou dizer que não tem, mas diminuiu”. Foi assim que Diair Ribeiro, a única comerciante oficial da Eça de Queiroz, em Blumenau, definiu a questão da segurança pública vivida na comunidade.

Diar Ribeiro no seu comércio 
Foto: Júlia Beatriz

Localizada no bairro Água Verde, região leste de Blumenau, porém próxima do Centro, a Eça de Queiroz é uma rua que dá nome a toda uma comunidade que, de acordo com a prefeitura, não se tem um número exato de moradores. Assim como a grande maioria das comunidades mais humildes, a Eça de Queiroz tem muitas qualidades, mas ainda sofre com os problemas de tráfico e usuários de drogas, segundo relatos.

Para o Tenente do 10º Batalhão de Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, Nicolas Vasconcelos, o problema das drogas é o maior de todos envolvendo a segurança pública. “O tráfico de drogas é o problema mais complexo de segurança pública, pois envolve uma série de segmentos, a exemplo da educação familiar, controle das fronteiras e a legislação brasileira, em que as causas  transcendem a competência da Polícia Militar. De todo modo, a PM tem identificado os pontos de drogas da cidade e realiza diariamente operações para reprimir a comercialização e o consumo”, explica Vasconcelos.

No último mês de março, ocorreu nas ruas da comunidade um tiroteio envolvendo pelo menos sete pessoas, quando uma acabou morrendo no ato. Segundo um relatório da PM, foram trocados cerca de 30 tiros. A comerciante Diair Ribeiro mora em uma das ruas que houve o tiroteio e acompanhou in loco o ocorrido. Diair conta que um dos disparos acertou a garagem dela e por pouco não atingiu o carro da família: “depois a polícia veio em casa para pedir o que sabia. Falei que não sabia de nada, mas disse que era acerto de contas, só isso”.

Para resolver o problema das drogas, o Tenente Nicolas Vasconcelos acredita que políticas públicas podem ser a solução: “precisamos de políticas públicas multidisciplinares, que foquem na conscientização das pessoas sobre os malefícios que o consumo e comercialização da droga  provocam para a segurança pública. Quem consome drogas, financia a compra ilegal de armas de fogo e estimula a prática de outros crimes”.

Projetos sociais auxiliam na educação das crianças

Uma das principais reclamações dos moradores da comunidade é a falta de opções de lazer e entretenimento, principalmente para as crianças. Pensando nisso, o professor de Jiu-Jitsu, Ítalo Mazzi, começou a dar aulas para os jovens da Eça de Queiroz. Em um projeto que teve início em 2013 e envolve pelo menos mais cinco comunidades carentes de Blumenau e Gaspar, o Tribo de Davi já obtém grandes resultados. 

“Teve um grande impacto em toda a comunidade desde o início, pois temos a oportunidade de acompanhar muitas crianças até hoje, podendo proporcionar para elas amor, carinho e muitas vezes orientação para vida, já que estas, não tinham em casa, e o nosso objetivo sempre foi levar Jesus até elas. Tenho certeza que muitas dessas crianças, hoje já adolescentes, não adentraram no mundo das drogas porque foram orientadas desde cedo, tendo em vista que  nosso trabalho também visa a prevenção às drogas”, elucida Mazzi.

Além de tudo que já foi conquistado pelo projeto, Ítalo revela que até mesmo os pais vão até ele pedir conselhos: “hoje toda a comunidade tem muita confiança em nós, muitos pais nos pedem ajuda quando seu filho está com algum problema comportamental, isso faz com que as próprias crianças nos olhem com mais respeito e admiração”.

As aulas de Jiu-jitsu acontecem na Associação de Moradores da Rua
Foto: Júlia Beatriz

Centro de Apoio à Família (CAF)

Com o objetivo de atender as crianças da comunidade, focando nos princípios para a vida da criança, o Centro de Apoio à Família (CAF) é uma ONG cristã, da Primeira Igreja Batista de Blumenau e atende aproximadamente 45 crianças, desde o dia 18 de setembro de 2018, na rua Eça de Queiroz.

Durante a manhã são atendidas crianças de quatro até seis anos e no período da tarde de sete até 12 anos. De acordo com a coordenadora pedagógica do projeto, Jacqueline Schalm, o local foi cedido pela prefeitura de Blumenau, para servir a comunidade. “O trabalho é gratuito e são as crianças daqui da região. Algumas crianças também são enviadas pelo conselho tutelar e pela casa acolhedora, então, por isso, nós temos também atendimento às crianças que estão passando por uma situação na casa acolhedora, adoção. Elas também são atendidas aqui. Uma parceria com a prefeitura e ação social”, afirma.

O Centro de Apoio à família atende aproximadamente 45 crianças
Foto: Júlia Beatriz

Ainda, como conta a coordenadora, antigamente existia outra ONG no espaço, que atendia cerca de 120 crianças e funcionava como creche, por estar vinculada com a Secretaria da Educação. Como a ONG atual está ligada com a Secretaria de Ação Social, não podem atender em período integral e isso acaba dificultando para os pais, que precisam do filho o dia todo na escola: “os pais precisam do local para deixar o filho o dia inteiro, não conseguem sair do trabalho e levar para escola a tarde ou trazer para o projeto. Buscar na escola, dar almoço e trazer aqui. Então, por isso, a gente atende um número menor, mas nós estamos ansiosos para encher de crianças, porque são quase mil metros”.

O local em que é realizado o projeto foi totalmente reformado e possui parquinho, salas de aula, teatro, artesanato e vídeo. Com as crianças maiores, entre sete e 12 anos, os voluntários do projeto oferecem oficinas voltadas para pesquisa com dicionário, palavra, artes, teatro e reforço escolar, além de ter um olhar cristão, ensinando os princípios da bíblia para a vida da criança. “Fizemos uma boa reforma, estava bem feio aqui, mas está vazio ainda para o número de crianças que a gente pode comportar, entende? Por isso que durante a tarde são duas turmas, porque a criança vai de manhã na escola e à tarde vem aqui. Se fosse um período integral talvez teriam mais crianças. Outra questão é que não atendemos abaixo de quatro anos. Antes aqui tinha berçário, tinha maternal, aí era uma creche.”, explica Jacqueline.

Sala de vídeo e de leitura do projeto
Foto: Júlia Beatriz

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